Três afiliadas da Samsung aceitaram comprar 4% da Dunamu, controladora da Upbit, por 612,8 bilhões de won, cerca de US$ 408 milhões. O acordo reforça a corrida de bancos e grandes grupos coreanos por exchanges, stablecoins em won e tokenização de ativos.
A Samsung deu mais um passo para dentro do mercado de ativos digitais na Coreia do Sul. Três empresas do grupo concordaram em comprar uma participação combinada de 4% na Dunamu, dona da Upbit, a maior exchange cripto do país, em uma transação avaliada em 612,8 bilhões de won, ou cerca de US$ 408 milhões.
Segundo o CoinDesk, a compra será feita por Samsung Securities, Samsung SDS e Samsung Card a partir de ações vendidas por afiliadas da Kakao. O movimento não é apenas financeiro: ele coloca o maior conglomerado sul-coreano mais perto da infraestrutura que pode sustentar stablecoins em won, tokenização de ativos e serviços de pagamento com cripto.
Como a fatia será dividida
De acordo com o Chosunbiz, a Samsung Securities ficará com 2% da Dunamu, enquanto Samsung SDS e Samsung Card comprarão 1% cada. Ao todo, o pacote envolve 1,39 milhão de ações da empresa que opera a Upbit.
A Upbit é uma peça central do mercado sul-coreano porque concentra grande parte da liquidez local em cripto. Por isso, uma fatia minoritária na controladora pode ter valor estratégico mesmo sem controle direto: a Samsung ganha exposição ao operador da exchange e, ao mesmo tempo, aproxima suas divisões financeira, tecnológica e de cartões de um setor que está entrando em fase mais regulada.
O acordo também mostra uma rotação importante no capital da Dunamu. A Kakao, que foi uma das investidoras iniciais da empresa, vem reduzindo sua participação. Duas semanas antes, o Hana Bank fechou a compra de 6,55% da Dunamu por cerca de 1 trilhão de won. Em maio, a venda acumulada de participação pela Kakao passou de US$ 1 bilhão.
Por que bancos e big techs querem a Dunamu
A disputa pela Dunamu acontece em um momento em que instituições tradicionais tentam ocupar a camada de distribuição de ativos digitais. A Coreia do Sul discute caminhos para stablecoins atreladas ao won e para security token offerings, enquanto bancos e corretoras buscam parceiros com base de usuários, liquidez e tecnologia já testadas.
Esse padrão não aparece só na Ásia. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o fundo tokenizado do JPMorgan no Ethereum, grandes instituições financeiras estão levando produtos tradicionais para trilhos blockchain. O mesmo vale para a aproximação da BlackRock com stablecoins e fundos tokenizados, que reforça a tese de que a adoção institucional está migrando de testes isolados para infraestrutura de mercado.
No caso coreano, a combinação é ainda mais direta: exchange local dominante, banco comercial, divisão de securities, tecnologia corporativa e pagamentos. Para o usuário final, isso pode aparecer no futuro como acesso mais simples a serviços cripto, remessas, produtos tokenizados e aplicações com stablecoin em moeda local. Para o setor, o sinal é de que a infraestrutura cripto está deixando de ser vista apenas como negociação especulativa.
Samsung já vinha se aproximando de cripto
A Samsung não chega ao setor do zero. A empresa introduziu uma carteira de ativos digitais em seus smartphones em 2019 e, desde então, suas divisões vêm testando casos de uso ligados a blockchain, custódia, identidade e tokenização. A nova fatia na Dunamu dá um componente mais operacional a essa estratégia, porque conecta o grupo a uma exchange com escala real.
A leitura mais prudente é que a compra não transforma a Samsung em controladora da Upbit, nem garante lançamento imediato de novos produtos. Ainda assim, o movimento aumenta o peso de grandes grupos financeiros no cap table da Dunamu e reforça uma tendência que o CriptoBR já vem acompanhando: a Coreia do Sul está testando depósitos tokenizados e criando as condições para que cripto seja tratada como infraestrutura financeira, não apenas como aplicativo de trading.
Para o mercado, o ponto principal é o timing. Em um dia de forte aversão a risco nas criptomoedas, com Bitcoin e Ethereum pressionados por tensões geopolíticas, a entrada da Samsung na Dunamu mostra que a tese institucional de longo prazo continua ativa. O capital estratégico está olhando menos para o preço de 24 horas e mais para quem controlará as pontes entre bancos, pagamentos e ativos digitais.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





