David Sacks encerrou seu mandato como czar de cripto e IA da Casa Branca após atingir o limite de 130 dias como funcionário especial do governo. Ele agora co-preside o PCAST, conselho consultivo de ciência e tecnologia de Trump, ao lado de nomes como Jensen Huang (Nvidia), Mark Zuckerberg (Meta) e Lisa Su (AMD). A mudança afasta Sacks do centro decisório cripto em Washington.
David Sacks, o investidor e podcaster que ocupava o cargo de czar de inteligência artificial e criptomoedas da Casa Branca desde janeiro de 2025, confirmou nesta quinta-feira (27) que está deixando a função. O motivo: ele atingiu o limite legal de 130 dias de trabalho permitido para funcionários especiais do governo dos EUA.
A saída foi anunciada em entrevista à Bloomberg e confirmada em publicação no X (antigo Twitter). Sacks não pediu demissão — simplesmente esgotou o prazo regulamentar.
De czar a conselheiro: o que muda na prática
Na nova função, Sacks será co-presidente do PCAST (President’s Council of Advisors on Science and Technology), o principal órgão consultivo externo de ciência e tecnologia da presidência dos EUA. A diferença é significativa: enquanto o cargo de czar dava acesso direto a Trump e poder de moldar políticas, o PCAST apenas estuda, produz relatórios e faz recomendações — sem autoridade executiva.
O conselho inclui 15 membros iniciais, entre eles nomes de peso do setor de tecnologia: Jensen Huang (Nvidia), Mark Zuckerberg (Meta), Sergey Brin (Google), Larry Ellison (Oracle), Lisa Su (AMD) e Michael Dell. Fred Ehrsam, investidor inicial da Coinbase, também integra o grupo.
Na entrevista, Sacks mencionou que o conselho focará em inteligência artificial, semicondutores avançados, computação quântica e energia nuclear. Notavelmente, ele não mencionou criptomoedas ao descrever as prioridades do PCAST.
Legado no setor cripto: GENIUS Act e estrutura de mercado
Durante seu período como czar, Sacks supervisionou avanços regulatórios relevantes para o mercado cripto nos EUA. O principal foi a aprovação do GENIUS Act, legislação focada em regulamentação de stablecoins, além de trabalhos iniciais no projeto de lei de estrutura de mercado cripto — tema que gerou controvérsia recente com a Coinbase rejeitando o Clarity Act.
Democratas no Congresso já haviam levantado preocupações em setembro de 2025 de que Sacks teria excedido o limite de 130 dias, o que adiciona um componente político à transição.
Contexto: tensões geopolíticas e mercado em queda
A saída de Sacks acontece em um momento delicado para o mercado cripto. O Bitcoin caiu para US$ 65.800 com o Fear & Greed Index em 13 (medo extremo), pressionado pela guerra EUA-Israel no Irã e pelo vencimento de US$ 14 bilhões em opções de BTC na Deribit.
Há também um detalhe que não passou despercebido: no início de março, Sacks usou o podcast “All In” para pedir publicamente que a administração Trump buscasse uma saída da guerra no Irã. Trump respondeu dizendo que Sacks “não havia falado com ele” sobre o assunto. Quando questionado sobre o episódio na entrevista de quinta, Sacks se limitou a dizer: “Não faço parte da equipe de política externa ou segurança nacional.”
O que esperar
Com a saída de Sacks, a Casa Branca perde seu principal interlocutor entre o governo e a indústria cripto. Ainda não está claro quem assumirá a coordenação de políticas cripto no dia a dia da administração Trump. Para o mercado, a principal preocupação é se projetos legislativos em andamento — como a regulamentação de estrutura de mercado — perderão momentum político sem um defensor direto no Salão Oval.
O PCAST, por sua composição repleta de CEOs de big tech, tende a priorizar temas como IA e semicondutores. Cripto pode ficar em segundo plano.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





