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Minnesota libera custódia cripto em bancos locais

Hillary Gonçalves by Hillary Gonçalves
maio 21, 2026
in Notícias
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Ilustração editorial de banco em Minnesota guardando criptomoedas em cofre digital
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📋 Resumo

Minnesota aprovou uma lei que permite a bancos estaduais e cooperativas de crédito oferecer custódia de criptomoedas a partir de 1º de agosto de 2026. A medida abre espaço para custódia regulada de ativos digitais, mas exige controles de risco, aviso prévio ao regulador e segregação dos ativos dos clientes.

O estado de Minnesota, nos Estados Unidos, aprovou uma lei que libera bancos locais e cooperativas de crédito a oferecer serviços de custódia de criptomoedas a partir de 1º de agosto de 2026. A medida, assinada pelo governador Tim Walz, coloca instituições financeiras tradicionais no centro da guarda de ativos digitais, incluindo chaves privadas, em vez de deixar esse serviço concentrado apenas em corretoras, fintechs ou provedores especializados.

O ponto central é que a autorização não equivale a uma carta branca para bancos operarem como exchanges. O texto do Chapter 93, publicado pelo Office of the Revisor of Statutes de Minnesota, limita a atuação à guarda, controle ou administração de moedas virtuais e das chaves criptográficas usadas para acessá-las. Na prática, a lei cria um caminho regulado para safekeeping, mas não autoriza automaticamente negociação, empréstimo ou investimento com os criptoativos dos clientes.

Bancos terão que avisar o regulador antes de lançar o serviço

Pelo texto aprovado, qualquer banco estadual que queira oferecer custódia cripto deverá manter políticas escritas de gestão de risco, controles internos, cibersegurança, continuidade de negócios e compliance. A instituição também precisará enviar um aviso por escrito ao comissário de comércio de Minnesota com pelo menos 60 dias de antecedência, descrevendo o serviço e sua estrutura de gerenciamento de risco.

As cooperativas de crédito receberam autorização semelhante, mas restrita aos seus membros. Tanto bancos quanto cooperativas poderão usar provedores terceirizados qualificados ou subcustodiantes, desde que mantenham responsabilidade de supervisão e garantam conformidade com a lei estadual.

Outro trecho importante é a segregação patrimonial. A lei determina que as criptomoedas e os mecanismos de controle associados aos clientes fiquem legal e operacionalmente separados dos ativos da própria instituição. Esse detalhe importa porque reduz a chance de o cliente ser tratado como credor comum em caso de problema operacional ou insolvência, uma dor que o setor cripto conhece bem desde as quebras de plataformas centralizadas nos últimos ciclos.

Minnesota libera custódia, mas fecha a porta para caixas cripto

A mudança vem em paralelo a uma postura mais dura contra caixas eletrônicos de criptomoedas. Segundo a CCN e o Bitcoin.com, Minnesota também avançou com uma proibição de quiosques cripto, com foco em golpes e fraudes contra consumidores. O desenho regulatório é claro: o estado quer trazer a guarda de ativos digitais para instituições supervisionadas, enquanto retira canais considerados mais arriscados para o varejo.

Esse movimento conversa com uma tendência maior nos EUA: bancos, gestoras e custodiante tradicionais tentando ocupar espaços que antes eram quase exclusivos de empresas cripto. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a Standard Chartered assumir a custódia cripto da Zodia, grandes instituições financeiras estão tratando custódia como infraestrutura estratégica para ativos digitais.

Também há uma leitura competitiva. Se bancos locais puderem guardar Bitcoin, Ethereum, stablecoins e outros ativos sob regras claras, clientes que já compram cripto podem preferir uma instituição familiar, especialmente quando o serviço envolve chaves privadas e recuperação de acesso. Essa mesma disputa apareceu quando o BNY levou custódia de Bitcoin e Ether a Abu Dhabi, reforçando que a guarda institucional virou uma frente global.

Por que isso importa para o mercado cripto

Para o usuário final, o impacto mais visível pode ser uma oferta de custódia com linguagem bancária: extratos, suporte local, auditoria e canais de atendimento já conhecidos. Para o setor cripto, a notícia reforça que a regulação nos EUA não está caminhando apenas por leis federais. Estados também estão montando suas próprias regras para permitir alguns usos de cripto e bloquear outros.

O lado positivo é a redução de incerteza para instituições que querem atender clientes expostos a ativos digitais sem virar uma plataforma de trading. O lado sensível é que mais custódia bancária pode reforçar modelos centralizados, em contraste com a autocustódia defendida por parte da comunidade cripto.

O caso de Minnesota, portanto, não é apenas uma notícia local. Ele mostra uma divisão cada vez mais comum na política cripto americana: permitir serviços regulados de infraestrutura, como custódia, enquanto canais de varejo associados a golpes ou baixa supervisão perdem espaço. Essa mesma lógica regulatória aparece em outras frentes, como ETFs e produtos institucionais, tema que o CriptoBR acompanhou recentemente quando a Truth Social retirou ETFs de Bitcoin da fila da SEC.

Se mais estados seguirem o mesmo caminho, a custódia cripto pode deixar de ser uma vertical de nicho e se tornar uma extensão normal dos serviços financeiros locais. A pergunta, agora, é quantas instituições vão querer assumir esse risco operacional quando a regra entrar em vigor.

Hillary Gonçalves
Hillary Gonçalves

Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.

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Tags: BitcoincustódiaEthereuminstitucionalregulação
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