Mercado Bitcoin publica análise com tudo sobre o hard fork Shangai, no Ethereum

Com o hard fork Shangai cada vez mais próximo de ser ativado no Ethereum, a exchange Mercado Bitcoin publicou uma análise sobre o evento, o que será ativado com a atualização e como esta atualização pode impactar o preço do ETH no curto prazo. Como apontou o CriptoFácil, a implementação da atualização deve ocorrer em abril.

A análise do MB aponta que desde seu lançamento em julho de 2015, era evidente que a Ethereum precisaria de várias atualizações ao longo dos anos. Além disso, com o passar do tempo, a evolução de diversas tecnologias, novas demandas, problemas e soluções foram surgindo, forçando os desenvolvedores e membros da comunidade a adaptar o blockchain para os mais diversos desafios do mundo real.

“Os desafios de criar um blockchain general purpose utilizado por centenas de milhões de pessoas e ao mesmo tempo seguro e moderno é imenso. Todo esse esforço demandou um processo de maturação dos times de aplicações e da própria Ethereum Foundation, que guia o desenvolvimento, apesar de não possuírem em nenhuma instância a posse do protocolo”, destacou.

O MB também destaca que para entender a atualização é preciso voltar ao The Merge, ativado no ano passado, no qual, os desenvolvedores do protocolo base da Ethereum decidiram que a responsabilidade de consenso entre os nós e a execução das transações e contratos inteligentes seria separada. 

“Para tal, criaram, em dezembro de 2020, a Beacon Chain, atual camada de consenso da rede da Ethereum. Essa camada ficaria inoperante até o momento do Merge, mas já aceitaria depósitos de ETHs pelos futuros validadores, justamente para que a transição pudesse ser feita posteriormente. A camada, porém, não permitia o saque desses ETHs, e esse é o grande ponto em que entra o novo hard fork”, destacou

Além deste ponto, o MB afirma que é preciso entender o conceito de OPCODES, para compreender as outras atualizações que serão ativadas com Shangai. Diante disso, o MB explica que os OPCODES são como são conhecidos os códigos das operações-base que a EVM (Ethereum Virtual Machine) executa.

Todo e qualquer contrato inteligente pode ser quebrado em pequenas operações básicas, que são interpretadas pela EVM. Essas operações são utilizadas como base para o cálculo de gas (medida de custo computacional necessário para se realizar as operações desejadas) a ser utilizado para a execução do contrato.

“Uma operação de adição entre dois inteiros, por exemplo, custa 3 unidades de gas. Uma operação lógica OU, custa também 3 unidades de gas para ser executada, e assim por diante”, afirma.

Tudo que será ativado com o hard fork Shangai

EIP-3651 – Warm COINBASE: o MB afirma que para realmente entender essa EIP, precisamos entender outra anterior, a EIP-2929. Esta EIP, proposta pelo próprio Vitalik, foi uma solução rápida para um problema observado na rede.

“Estavam ocorrendo ataques de DoS (Denial of Service) na qual o atacante busca sobrecarregar um servidor ou uma rede por meio de uma enxurrada de requisições e/ou transações. Nos ataques de 2016, um atacante conseguiu fazer isso a um custo relativamente baixo, enviando diversos endereços para serem inicializados nas transações.

Para driblar essa estratégia, a EIP-2929 determinou que apenas os endereços ORIGIN (originador da transação) e tx.to (receptor da transação) fossem carregados inicialmente,  sendo mais baratos por isso, e que quaisquer outros endereços tivessem um custo adicional de gas para serem carregados. Em termos financeiros, isso limitaria a quantidade de endereços que poderiam ser enviados nas transações, resolvendo o problema em questão.

Acontece que existe outro endereço que é importante de ser inicializado, o que é responsável pela  recompensa do bloco e das taxas de transação, chamado de COINBASE.Essa proposta, então, se resume a incluir esse endereço na lista dos endereços inicializados assim que a transação começa, reduzindo seu custo, mas ainda mantendo a segurança contra os ataques de DoS.

EIP-3855 – PUSH0 instruction: Essa EIP é bem simples, sua proposta é de incluir uma nova instrução (PUSH0) que insere o valor constante zero na stack. Existem diversos motivos para se querer disponibilizar essa constante, mas principalmente para operações com instruções do tipo CALL (ex. CALLDATA).

“Hoje em dia, desenvolvedores utilizam soluções alternativas para obter esse resultado, como executar a instrução PUSH1 0, que obtém o resultado desejado, mas sua execução é mais cara. Estudos na própria blockchain (ver link da EIP) estimam que cerca de 11,5% dos casos das instruções PUSH tem como objetivo final inserir um zero na stack”

Portanto, a análise destaca que com o PUSH0, pretende-se resolver esse problema e tornar os códigos mais baratos e mais seguros, pois há menos chances de efeitos colaterais que podem ocorrer quando se usa uma solução alternativa.

EIP-3860 – Limit and meter initcode: Essa EIP tem como objetivo medir e limitar o tamanho máximo do INITCODE que é o bytecode de criação (código de máquina) gerado pelo client ao começar a criar um contrato em blockchain. Hoje em dia não há limite de tamanho máximo para o INITCODE e, na verdade, seu tamanho nem é mesmo medido. 

Essa atualização busca resolver justamente esses dois pontos: implementar um sistema de medição do INITCODE e limitar seu valor máximo. O novo máximo será de 49152 bytes,definido como o dobro do MAX_CODE_SIZE, e será aplicado custo extra de 2 gas para cada 32 bytes utilizados.

EIP-6049 – Deprecate SELFDESTRUCT: Um dos OPCODES existentes é o SELFDESTRUCT, responsável por tornar inutilizável um contrato deployado em blockchain. Essa EIP insere apenas uma advertência ao uso do opcode, já que o comportamento do mesmo não será alterado nesse fork, mas é esperado que seja alterado futuramente.

EIP-4895 – Beacon Chain push withdrawals as operations: ele implementará a já citada possibilidade de se realizar saques na Beacon Chain.

Apesar da funcionalidade ser simples, suas consequências podem ser grandes para a rede. Atualmente, existem cerca de 16.900.000 etheres travados em stake no contrato da Beacon Chain. Essa quantidade equivale a cerca de 14% do supply total de etheres, um valor relativamente baixo quando comparado a outros blockchains. Uma análise interessante é quanto que os destravamentos destes etheres afetarão o preço do ativo. Elencamos argumentos que defendem a queda no preço e outros que argumentam que ele se manterá normal. Vamos analisá-los a seguir.

Ethereum vai cair

Segundo o MB, o principal argumento dessa categoria é simples de entender. Com a possibilidade de sacar os ETHs (liquidez), muitos dos holders tenderão a se desfazer pelo menos de parte de suas posições pois estão acumulando pagamentos desde o final de 2020. Isso a princípio geraria uma pressão de venda que derrubaria o preço.

O MB destaca que é possível avaliar esse ponto por meio dos dois movimentos possíveis por parte dos validadores

  • Validadores que farão retiradas parciais (Partial Withdrawals/PW) – estes retirarão apenas as recompensas obtidas ao longo desse período, mantendo a quantidade mínima para ser um validador ainda travada (32 ETHs x número de validadores)
  • Validadores que farão retiradas totais (Full Withdrawals/FW) – estes retirarão a totalidade dos fundos, não só as recompensas obtidas, mas também os ETHs travados para poderem se tornar um validador.

Observe que teremos holders que podem sacar seus etheres, mas não os venderão a mercado, utilizando-os para outras aplicações ou até mesmo para hold puro. Outro ponto importante é devido a segurança da rede, já que não será permitido automaticamente que todos os validadores desmontem suas posições totais (FW), apenas cerca de um validador por minuto poderá abandonar a rede por vez, o que totalizará cerca de 1.500 validadores por dia (ou cerca de 50.000 ETHs/dia). 

O MB destaca ser provável haver no início uma quantidade considerável de validadores buscando liquidez, até mesmo porque alguns já desmontaram seus nós e estão na fila para poder sacá-los.

Percebemos quatro grandes perfis de holders com quantidades referentes a cada perfil listadas abaixo:

  • 33.3% Staking Líquido (Lido,Rocketpool, etc_
  • 28.2% Exchanges Centralizadas (Coinbase, Binance, etc_
  • 25.0% Outros (Não-identificados, baleias, outros_
  • 13.5% Pools de Staking

Segundo o MB, para os holders que se encaixam na categoria de Staking Líquido, não é esperada venda em quantidades consideráveis, pois esses holders já têm acesso a liquidez devido aos recibos recebidos ao terem realizado o depósito inicialmente.

“Para os participantes das Pools de Staking, é esperado movimento de venda em pequenas quantidades, pois de modo geral esses holders estão alinhados à atividade de validação e acreditam no futuro da rede. Já para os holders em Exchanges Centralizadas, o cenário é similar ao descrito para os Pools de Staking, pressão de venda razoável, mas não muito grande”, destacou.

Considerando esses pontos, o MB, traçou três possíveis cenários para as vendas do staking.

  • Otimista: 8% => 92.000 ETH
  • Médio: 16% => 183.000 ETH
  • Agressivo 30% => 333.000 ETH

Já para os FW nessas categorias, nesses mesmos três cenários}

  • Otimista: 2% => 345.000 ETH
  • Médio: 7% => 1.206.000 ETH
  • Agressivo: 15% => 2.585.000 ETH

Totalizando, então, uma pressão de venda total de

  • 437.000 EqH
  • 1.389.000 EqH
  • 2.918.000 EqH

Que considerando a limitação de saques, representarão uma pressão de venda diária média de}

  • 14.000 EqH por dia, por um mês
  • 23.000 EqH por dia, por dois meses
  • 32.000 EqH por dia, por três meses

O cenário otimista tem uma pressão de venda média diária muito similar ao que ocorria pré-Merge, quando os mineradores vendiam os ETHs minerados, nada fora do comum.

Já os cenários médio e agressivo são consideravelmente maiores e mais duradouros, podendo levar a uma queda no preço do ativo caso não entrem novos validadores. Estudos demonstram que, ao final de março (quando ocorrerá a atualização) considerando a retirada de todos os etheres em PW, teríamos um saldo de cerca de 1.119.000 etheres sendo retirados e considerando 10% do FW sendo processados, mais 1.728.000 etheres saindo da Beacon Chain.

Somando todos esses números, e incluindo os validadores que já desativaram seus nós, resultam em mais 38.000 etheres que serão retirados. Finalmente, a retirada estimada será de 2.885.000 etheres, um valor que corresponde a 2,4% do supply total, divididos a cada dia e também respeitando o limite máximo de retiradas por dia.

Ethereum vai subir

O MB aponta também que alguns dos principais argumentos contra a queda já foram elencados na seção anterior, nomeadamente. Muitos dos holders estão para o longo prazo e são alinhados com o ethos da rede, não tendendo a se desfazer de suas posições e, possivelmente, até começando a rodar novos nós.

“Muitos outros já têm acesso à liquidez, devido aos derivativos de Staking Líquido. Traders de curto e médio prazo provavelmente já fazem arbitragem e outras negociações em cima desses derivativos,
 não apresentando tanta tendência em vender seus ativos se não for por uma necessidade iminente
 de liquidez”, disse.

Segundo o MB, além disso, grande parte dos etheres depositados foi feito quando o preço do ativo se encontrava em um patamar superior ao atual e acredita-se que esses holders terão menos tendência a vender o ativo pois estariam no prejuízo.

“Obviamente essa parcela varia muito dependendo de quanto tiver o preço do ether no pós-fork, mas extrapolando o crescimento atual, não é esperado que atinja grande
 quantidade percentual”, destacou.

O MB conclui que inicialmente, o preço pode sofrer com a liberação haja vista que a força da narrativa também é considerável, pois muitos investidores que acreditam na grande venda do ativo, se desfazem de suas posições para posteriormente remontá-las a um preço mais favorável.

“No longo prazo, porém, acreditamos que o ether tenderá a subir, principalmente devido aos dados econômicos positivos do ativo. Atualmente, observamos uma forte deflação do ether, vindo principalmente do reaquecimento da atividade em DeFi e NFTs, “, finaliza.

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Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletem as posições do Cointelegraph Brasil. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar uma decisão.

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