Depois de lançar a negociação de criptomoedas para um número limitado de clientes em dezembro passado e expandir o serviço para a plataforma de investimentos íon em junho, o Itaú Unibanco, maior banco privado do país, passou agora a oferecer a negociação a todos os seus clientes de bitcoin e ethereum por meio também do seu aplicativo. O serviço começa hoje com um valor mínimo de R$ 10,00 e a taxa é de 2,5%. Mas, o banco colocará limites para os clientes conforme seus perfis, uma espécie de “trava de proteção” conforme o perfil de cada cliente para evitar exagero na exposição de patrimônio.
Desde o lançamento na íon, que no futuro deverá ter serviços diferentes de cripto no app, houve um aumento de 300% de volume médio mensal de movimentação na íon “acima da expectativa do que nós tínhamos aqui”, disse Guto Antunes, líder de Ativos Digitais do Itaú. No último mês, com os recordes de preços, “a gente viu especificamente um crescimento desses 30% de números de clientes entrando na plataforma”, completou. João Araújo, diretor de Negócios, Plataformas e Experiências Digitais do banco, afirmou que “o número de trafego do superapp é dezenas de vezes maior do que o do íon”. O banco não revela números de clientes e valores.
Investidor em cripto além do que pode é uma história recorrente, em especial quando o conhecimento sobre o assunto é baixo e os preços estão batendo recorde como agora. O banco não detalhou os valores máximos de compra para os diferentes tipos de clientes, mas isso funciona como uma espécie de adequação de um investimento ao perfil do investidor em questões como risco, liquidez e retorno, a suitability do mercado financeiro.
Banco Central mira em suitability
Na consulta pública 109 do Banco Central, que trata dos provedores de serviços de ativos digitais (PSADs), o artigo 47 traz este tema ao afirmar que s provedores de serviços de ativos digitais (PSADs) “devem conhecer o perfil do cliente no que se refere ao seu nível de familiaridade com o mercado de ativos virtuais, aos seus interesses financeiros e à sua tolerância ao risco, conforme regulamentação aplicável”, como lembra Rodrigo Borges, sócio da Carvalho Borges Araújo Advogados. Para superar a barreira do desconhecimento, o Itaú está investindo em educação, como vídeos e palestras em centros de investimentos como as agências Personnalité.
De acordo com Guto Antunes, líder de Ativos Digitais do Itaú, o começo da jornada de cripto começou no íon porque é uma plataforma com clientes mais educados financeiramente. Essa base “se informa mais não só sobre criptoativos, mas sobre investimentos em geral. A gente tomou muito cuidado com qual perfil iria entraria nesse mercado até que a gente chegasse nesse ponto de maturação”.
Entre os próximos passos do Itaú em criptos, o banco está estudando outras funcionalidades para o investidor do íon, que é mais especializado, diferente do que estará no app. “Estamos falando com os clientes para saber o que uma plataforma de criptoativos deve tenha de funcionalidade. E aí (o íon) diferencia do app do cliente, que é o do dia a dia e que possibilita trazer o cliente novo”, disse Antunes.
Itaú quer ir além de bitcoin
Além disso, o banco deve oferecer novas criptos e pretende permitir que os clientes tragam criptos de suas carteiras externas para o Itaú. Isso está em teste por funcionários e alguns clientes e está previsto para 2025 gradativamente, com base em estudos de mercado e evolução da regulação.
Antunes não revelou como ficou o balanço de valores retirados do Itaú para exchanges, um dos motivos que levou o banco a lançar o serviço de criptomoedas. Mas, afirmou que há demanda de clientes que têm cripto em carteiras de autocustódia ou em exchanges e que querem trazer os valores para o Itaú. O motivo para isso, afirmou, é segurança. O Itaú afirma que uma das vantagens e diferenciais de seu serviço de criptomoedas é que a custódia é uma solução do banco e gerenciada pela própria instituição.
A possibilidade de tirar do banco para uma carteira externa é estudada, mas estão olhando também a questão regulatória e não está em teste.
Tokens de ativos reais
O Itaú está em diferentes frentes de ativos digitais, do piloto do Drex a criptomoedas e tokens de ativos reais, os RWAs, que é uma das principais estratégias nesse área, afirmou Antunes. Nesse último caso, está distribuindo tokens da BEE4.
O projeto foi implantado “para entender a tese do RWA, porque entendemos que tem muita coisa para acontecer na regulação. Queremos evoluir, entender e levar aprendizados para CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”. Agora, se as ofertas serão pelo aplicativo, pelo íon ou por uma plataforma separada, a regulação e o cliente é quem vão ajudar a definir, completou.
Nessa área, o banco é investidor também da Liqi, tokenizadora de RWAs.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





