O bitcoin voltou ao centro das discussões de carteira no Brasil após uma análise publicada por Renato Eid Tucci, sócio da Itaú Asset Management. No texto, o executivo avalia o comportamento do ativo em 2025 e propõe uma estratégia objetiva para 2026: manter uma exposição moderada, entre 1% e 3% do portfólio, como forma de diversificação e proteção cambial.
A recomendação parte de um diagnóstico que tem guiado gestores no mundo todo: o cenário macro segue instável, com choques que vão de geopolítica a decisões de política monetária, e com o câmbio adicionando uma camada extra de risco para o investidor brasileiro. Nesse ambiente, a tentativa de acertar o ponto exato de entrada em ativos de risco tende a ser cara e emocionalmente desgastante. A ideia, segundo o gestor, é abandonar a busca pelo “timing perfeito” e construir posição com disciplina, respeitando o perfil de risco.
2025 mostrou a volatilidade, e também o papel do ativo
Na leitura do executivo, o comportamento do bitcoin ao longo de 2025 ilustra como o ativo pode oscilar forte em períodos curtos. O preço iniciou o ano próximo de US$ 95 mil, recuou para US$ 80 mil durante um episódio de estresse, depois atingiu US$ 125 mil antes de retornar à faixa inicial. Esse tipo de variação reforça a imprevisibilidade do curto prazo e exige que a alocação seja dimensionada para não comprometer a saúde financeira do investidor.
Ao mesmo tempo, a análise chama atenção para um ponto relevante ao público brasileiro: o impacto do câmbio. Com desvalorização do real no período, estratégias com exposição a dólar tendem a se comportar de forma diferente em reais. Nesse contexto, o bitcoin pode funcionar como uma camada adicional de proteção, especialmente em momentos de estresse agudo no mercado internacional, quando a busca por ativos globais aumenta.
Por que 1% a 3%: diversificação sem “apostar a carteira”
O centro da recomendação é pragmático. Uma posição pequena pode capturar parte do potencial de retorno e oferecer diversificação por baixa correlação com ativos tradicionais, mas sem transformar a carteira em uma aposta concentrada. A faixa de 1% a 3% também reduz a chance de decisões impulsivas, comuns quando o investidor está superexposto e reage a manchetes ou movimentos bruscos.
A proposta é tratar o criptoativo como componente complementar, ajustado ao perfil de risco, com horizonte de longo prazo e tolerância a oscilações. Em vez de girar posição a cada ruído, a disciplina e a consistência passam a ser o diferencial.
Como transformar esse tema em crescimento: estratégia do nosso especialista em comunidade
Para comunicar essa visão sem cair em hype, nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda uma abordagem que privilegia educação prática e confiança, com três frentes:
Série “Carteira em números”
Publicações curtas mostrando, com exemplos simples, como uma alocação de 1%, 2% e 3% muda risco e retorno ao longo do tempo, sempre com linguagem acessível e foco em cenário, não em promessa.Conteúdo de comportamento, não de preço
Em vez de “previsões”, criar guias sobre decisões corretas: como lidar com volatilidade, como evitar overtrading, como definir horizonte e rebalanceamento. Isso cria maturidade e reduz ansiedade na comunidade.Rotina de transparência e segurança
Pílulas semanais sobre custódia, riscos, boas práticas e golpes comuns. Em mercado volátil, segurança vira pauta que engaja e retém, além de elevar a qualidade do público que acompanha o projeto.
A análise da Itaú Asset coloca o bitcoin em um lugar mais realista dentro da carteira: pequeno, controlado e estratégico. Ao sugerir de 1% a 3%, a mensagem não é de euforia, é de método. Em 2026, o investidor tende a ser mais bem servido por disciplina, diversificação e visão de longo prazo do que por tentativas de adivinhar o próximo movimento do mercado.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





