A Mastercard voltou a colocar o setor privado no centro da transformação digital das finanças. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (2), Raj Dhamodharan, vice-presidente executivo de blockchain e digital payments da empresa, afirmou que as evoluções mais relevantes do sistema financeiro atual não estão vindo dos bancos centrais, mas sim de empresas que desenvolvem soluções próprias, mais rápidas e ajustadas ao mercado.
Segundo o executivo, embora os testes de moedas digitais emitidas por bancos centrais — como o Drex, do Banco Central do Brasil — tenham sido importantes para aprendizado, o ritmo das inovações privadas tem se mostrado superior. Ele destacou que a Mastercard participou das fases anteriores do Drex e mantém disposição para colaborar na nova etapa, especialmente agora que o BC decidiu abandonar a infraestrutura blockchain usada nos testes e revisar todo o projeto.
Dhamodharan afirmou que a empresa aguarda a definição oficial do BC para a reestruturação do Drex a partir de 2026, reforçando que “o ambiente regulatório certo” é determinante para garantir segurança, escalabilidade e adoção real.
Stablecoins: inovação, mas não ruptura
Ao comentar o avanço das stablecoins, Dhamodharan fez uma ponderação: elas representam um passo na digitalização do dinheiro, mas não uma revolução no setor de pagamentos. Ele destacou que soluções de tokenização e digitalização já eram amplamente utilizadas por empresas como a própria Mastercard antes da popularização das stablecoins.
Ainda assim, a companhia observa crescimento de uso desses ativos na América Latina. A vice-presidente sênior de pagamentos digitais, Guida Sousa, revelou que 35% do volume negociado de stablecoins no mundo está concentrado na região, impulsionado pela busca de proteção patrimonial contra moedas locais mais voláteis.
Setor privado lidera a inovação
Para a Mastercard, a força do setor privado está em sua capacidade de criar soluções ágeis, eficientes e escaláveis. É nesse contexto que a empresa vem desenvolvendo projetos como:
sistemas tokenizados de pagamento multilayer,
integrações com carteiras digitais,
parcerias com protocolos de identidade digital on-chain, como o Humanity Protocol no Open Finance.
Esses movimentos mostram que, para a empresa, o caminho da inovação está menos em criar novas moedas digitais estatais e mais em aprimorar a infraestrutura que já existe, conectando bancos, empresas e consumidores de forma segura e interoperável.
Estratégia com foco na comunidade
Para nosso especialista em crescimento de comunidade, o posicionamento da Mastercard é especialmente relevante para o ecossistema brasileiro:
“O Drex não é um fim em si mesmo, mas uma peça dentro de um sistema mais amplo de digitalização. Quando líderes globais como a Mastercard apontam que o setor privado já está entregando soluções maduras, isso indica que o Brasil tem oportunidade de acelerar a adoção de tecnologias que realmente resolvem problemas e geram valor para milhões de usuários. A mensagem é clara: inovação precisa ser útil, acessível e integrada ao dia a dia das pessoas.”O debate sobre moedas digitais de banco central está longe de terminar, mas a posição da Mastercard fortalece a visão de que a inovação real está acontecendo fora das estruturas governamentais. Soluções privadas seguem na frente, trazendo novas formas de pagamento, tokenização e serviços financeiros mais flexíveis e seguros.
