HYPE, NEAR e ONDO lideraram a alta entre altcoins neste domingo, enquanto Bitcoin e Ethereum também recuperaram terreno. A rotação mostra volta de apetite por risco, mas ainda depende de volume, fluxo institucional e estabilidade macro para se sustentar.
HYPE, NEAR e ONDO abriram o domingo entre os principais destaques do mercado cripto, em uma sessão marcada por recuperação de Bitcoin e Ethereum e por uma rotação mais agressiva para narrativas de maior beta. Dados de mercado consultados pelo CriptoBR mostram o Bitcoin perto de US$ 76,8 mil, em alta de cerca de 3% em 24 horas, enquanto o Ether avançava mais de 4% para a região de US$ 2,1 mil.
A força, porém, apareceu com mais intensidade fora das duas maiores criptomoedas. HYPE subia perto de 15%, NEAR avançava cerca de 14% e ONDO ganhava mais de 11%, com volumes relevantes nas três frentes. O movimento vem depois de uma sequência de pressão sobre ETFs de Bitcoin e realização em altcoins, cenário que deixou traders atentos a sinais de retorno do apetite por risco.
HYPE ganha força com ETFs e volume em derivativos
O caso mais visível é o da Hyperliquid. O token HYPE voltou a negociar próximo de máxima histórica, apoiado por uma combinação de demanda por produtos listados nos EUA, crescimento de volume na DEX de perpétuos e interesse em mercados tokenizados. O CoinDesk destacou que a alta da Hyperliquid e de tokens ligados a IA sugere uma tentativa de reabertura da rotação em altcoins, embora ainda concentrada em poucos protocolos com receita e uso real.
O pano de fundo institucional também pesa. A 21Shares anunciou em maio o lançamento do THYP, produto de exposição a HYPE, enquanto a Bitwise colocou o BHYP para negociação na NYSE com proposta de exposição spot e staking. Esse canal tradicional não elimina a volatilidade do token, mas ajuda a explicar por que o mercado passou a tratar Hyperliquid como uma tese que mistura DeFi, derivativos e acesso institucional.
Como o CriptoBR mostrou recentemente, a Hyperliquid já vinha atraindo atenção por sua expansão para mercados não convencionais, incluindo a disputa em torno de futuros de petróleo em ambiente on-chain em CME e ICE miram Hyperliquid por risco no petróleo. O novo rali reforça essa leitura: investidores estão comprando não apenas um token, mas a expectativa de que a bolsa on-chain siga capturando volume de traders sofisticados.
NEAR e ONDO puxam narrativas de IA e RWA
NEAR também ganhou tração em uma combinação de inteligência artificial, privacidade e upgrades de infraestrutura. Relatórios de mercado apontam que o projeto vem sendo negociado como uma ponte entre IA e cripto, especialmente após avanços em pagamentos confidenciais e novas ferramentas ligadas ao ecossistema Near.ai. Para traders, a narrativa importa porque tokens de infraestrutura de IA ficaram para trás em boa parte do ciclo, mesmo com o setor tradicional de IA mantendo valuations elevados.
ONDO, por sua vez, segue representando a tese de tokenização de ativos do mundo real. A alta deste domingo amplia o rali semanal e ocorre em meio ao interesse por produtos como USDY e OUSG, além da demanda por rails que aproximem cripto de renda fixa, ações e liquidações institucionais. O CriptoBR acompanhou essa frente em Ondo, JPMorgan e Ripple liquidam Treasuries no XRPL, um exemplo de como o setor de RWA está deixando de ser apenas narrativa e entrando em testes práticos de liquidação.
Essa rotação também dialoga com a última onda de busca por altcoins mais específicas. Na sexta-feira, o CriptoBR registrou que altcoins de IA disparavam enquanto o Bitcoin ficava travado. A diferença agora é que Bitcoin e Ethereum também avançam, o que torna o movimento menos defensivo e mais próximo de uma tentativa ampla de retomada.
Rali ainda precisa provar sustentação
Apesar do tom positivo, o sinal ainda exige cautela. Altcoins como HYPE, NEAR e ONDO costumam amplificar a direção do mercado: sobem mais quando há liquidez, mas também devolvem rápido quando o Bitcoin perde suporte ou quando o volume some. A própria leitura de analistas citados pelo CoinDesk aponta que a concentração de liquidez em poucos protocolos é um ponto forte no curto prazo, mas também um risco se concorrentes ganharem espaço ou se o apetite por risco esfriar.
Para o investidor brasileiro, o ponto prático é separar narrativa de confirmação. A recuperação de Bitcoin e Ethereum melhora o ambiente, mas o teste real está na continuidade dos fluxos: volume em Hyperliquid, uso de aplicações em NEAR, demanda por produtos tokenizados da Ondo e estabilidade dos ETFs e produtos institucionais. Sem isso, o rali pode virar apenas mais um repique dentro de um mercado ainda sensível a juros, liquidez global e manchetes macro.
O momento, portanto, é de atenção e não de euforia. HYPE, NEAR e ONDO entregaram os melhores sinais do dia, mas a rotação só vira tendência se os compradores continuarem aparecendo depois do primeiro impulso.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





