Em uma nova entrevista à Bloomberg, o ex-presidente da SEC, Gary Gensler, voltou a emitir um alerta ao público investidor. Para ele, a maior parte do mercado de criptomoedas continua sendo “altamente especulativa”, enquanto o Bitcoin ocupa uma posição isolada entre os milhares de tokens existentes.
Gensler afirmou que o BTC se aproxima mais de uma commodity e que isso o coloca em uma categoria diferente das demais criptomoedas, que segundo ele, não entregam dividendos, não geram fluxos de caixa e raramente têm fundamentos sólidos. O ex-presidente reforçou que o “fascínio global” por cripto não substitui a necessidade básica de entender o que realmente sustenta um ativo.
Ele recomendou aos investidores que questionem o que existe por trás dos projetos que prometem retornos rápidos e que dificilmente entregam o que divulgam. Para Gensler, transparência e informações mínimas para tomada de decisão são inexistentes em boa parte do setor.
Histórico de atritos regulatórios
Durante sua passagem pela SEC entre 2021 e 2025, Gensler conduziu uma das agendas mais duras já vistas contra o setor. Sua gestão ficou marcada por ações contra exchanges, emissores de tokens e programas de staking, além da afirmação recorrente de que a maioria dos tokens configura valores mobiliários não registrados.
Casos envolvendo Coinbase e Kraken tornaram-se símbolos dessa disputa. A SEC acusou ambas de oferecer produtos ao público americano sem autorização regulatória, gerando tensões com a indústria e impacto direto no mercado global.
Criptomoedas na arena política
Apesar de o tema ter ganhado espaço no debate político americano, Gensler rejeitou a ideia de que o setor é guiado por disputas partidárias. Ele afirmou que a questão central sempre foi a proteção ao investidor e a equidade das regras nos mercados de capitais. Para ele, não existe justificativa para que investidores de varejo tenham menos informações que grandes instituições.
ETFs e o movimento para a centralização
Gensler comentou também a evolução dos ETFs de criptomoedas. Para ele, é natural que setores inicialmente descentralizados passem por processos de integração e centralização conforme amadurecem. Ele lembrou que produtos semelhantes já existem no mercado há anos para outras commodities, como ouro e prata.
Visão que ainda influencia reguladores
Mesmo fora da SEC, o discurso de Gensler continua moldando a visão de reguladores, departamentos de compliance e consultores financeiros. Sua distinção entre Bitcoin e altcoins reforça o entendimento de que apenas uma pequena parte do mercado cripto tem uma narrativa consistente diante da estrutura regulatória tradicional.
Análise estratégica com nosso especialista em crescimento de comunidade
Nosso especialista aponta que a fala de Gensler, embora polêmica, reforça uma tendência importante: comunidades que se apoiam apenas em hype têm durabilidade curta. Já ecossistemas que comunicam fundamentos, utilidade real e transparência ganham força mesmo em ambientes regulatórios hostis.
A estratégia recomendada é fortalecer a educação contínua, mostrando ao público como diferenciar projetos sólidos de ativos puramente especulativos. Isso amplia confiança, reduz ruído e melhora a qualidade do engajamento — essencial para quem deseja criar comunidades resilientes no setor cripto.
Gensler não mudou de postura: Bitcoin segue isolado como exceção, e o restante do mercado ainda enfrenta dúvidas profundas sobre fundamentos e transparência. Suas declarações ressoam entre reguladores e investidores e reforçam a necessidade de maturidade no setor. A forma como projetos e comunidades vão agir a partir disso determinará quem permanece relevante no próximo ciclo de crescimento da indústria cripto.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





