A exchange de criptomoedas Gemini, dos gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss, recebeu da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) uma licença de Designated Contract Market (DCM) por meio de sua afiliada Gemini Titan. Com isso, a empresa poderá oferecer mercados de previsão regulados para usuários nos Estados Unidos, começando pela web e, depois, também em apps móveis. Reuters+1
A reação do mercado foi imediata: as ações da Gemini (GEMI) subiram cerca de 13,7% no after-hours, para US$ 12,92, embora ainda acumulem queda de mais de 60% desde o IPO em setembro. AInvest+1
O que são mercados de previsão
Mercados de previsão são plataformas onde usuários negociam contratos vinculados a eventos futuros — por exemplo, resultados de eleições, dados econômicos ou até esportes. Esses contratos normalmente funcionam como apostas binárias (sim/não): se o evento ocorre, o contrato paga 1; se não ocorre, paga 0. Reuters+1
Defensores afirmam que esses mercados produzem previsões mais precisas que pesquisas tradicionais, porque agregam dinheiro e informação de quem tem algo em jogo. Críticos, porém, comparam a atividade a jogos de azar, e reguladores estaduais vêm questionando se algumas plataformas não estão oferecendo “apostas esportivas disfarçadas”. Reuters+1
Por que a licença é importante para a Gemini
A aprovação encerra um processo de licenciamento de cinco anos, iniciado em março de 2020, e abre uma nova frente de receita em um momento em que a empresa ainda tenta se firmar em bolsa. Yahoo Finanças+1
Além dos mercados de previsão, a Gemini já sinalizou que quer expandir a oferta de derivativos regulados para o público dos EUA, incluindo futuros, opções e contratos perpétuos de cripto, hoje dominados por exchanges offshore. Se conseguir executar bem, a empresa pode transformar o app em um “super app” cripto, com spot, derivativos, mercados de previsão e outros serviços no mesmo ambiente. CoinGape+1
Concorrência aquecida
A Gemini chega em um segmento que já está pegando fogo. Plataformas como Polymarket e Kalshi vêm registrando recordes de volume em 2024 e 2025, impulsionadas por eleições e eventos macroeconômicos de alto impacto. A Kalshi, por exemplo, foi avaliada em cerca de US$ 11 bilhões após uma rodada recente, e se tornou parceira oficial de previsão da CNN. Parameter+1
Ao mesmo tempo, outros players de cripto também correm para entrar no jogo: Trust Wallet lançou mercados de previsão no app, Robinhood prepara uma exchange focada em derivados desse tipo, e a Coinbase trabalha em uma plataforma em parceria com a Kalshi. CoinGape+1
Riscos, controvérsias e o que observar
Mesmo com selo da CFTC, o setor continua sob escrutínio. Autoridades estaduais já moveram ações contra algumas plataformas registradas na própria CFTC, alegando oferta irregular de apostas esportivas. Isso mostra que a discussão jurídica sobre “investimento” versus “jogo de azar” está longe de terminar. crypto.news+1
Para investidores, o movimento da Gemini é um sinal de que os mercados de previsão estão saindo da borda do ecossistema cripto e entrando no centro do jogo regulado. Os próximos capítulos a acompanhar:
quais tipos de eventos a Gemini vai listar;
como serão tratadas questões de limites, KYC e compliance;
se o novo produto será suficiente para reverter a performance fraca das ações desde o IPO. AInvest+1
Se a tese de Cameron Winklevoss se confirmar — de que mercados de previsão podem se tornar tão grandes quanto, ou maiores que, os mercados de capitais tradicionais — a licença conquistada hoje pode ser o ponto de virada da história da Gemini.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





