A Franklin Templeton anunciou nesta quarta-feira a criação da Franklin Crypto, uma divisão dedicada exclusivamente a ativos digitais, ancorada pela aquisição da 250 Digital — spinoff da gestora cripto CoinFund. A operação sinaliza que o mercado institucional está indo além dos ETFs e caminhando para gestão ativa de criptoativos.
A Franklin Templeton, uma das maiores gestoras de ativos do mundo com mais de US$ 1,5 trilhão sob gestão, deu um passo decisivo no mercado cripto nesta quarta-feira (1). A empresa anunciou a criação da Franklin Crypto, uma nova divisão dedicada exclusivamente a ativos digitais, e firmou acordo para adquirir a 250 Digital — firma de investimentos em criptoativos derivada da CoinFund.
A notícia chega em um momento em que o interesse institucional pelo setor continua em expansão, com os ETFs de Bitcoin captando US$ 2,5 bilhões só em março. Desta vez, o movimento não é passivo — a Franklin quer gestão ativa.
O que é a Franklin Crypto e quem vai comandar
A nova unidade reunirá a equipe da 250 Digital e suas estratégias de liquidez em cripto — anteriormente geridas pela CoinFund — sob uma única estrutura voltada para investidores institucionais. O time será liderado por Christopher Perkins, ex-executivo da CoinFund, com Seth Ginns como diretor de investimentos (CIO). O veterano de ativos digitais da própria Franklin, Tony Pecore, também integrará o grupo.
Toda a divisão reportará a Sandy Kaul, chefe de inovação da Franklin Templeton. A CEO da gestora, Jenny Johnson, comentou sobre o negócio: “Esta é uma adição empolgante para a Franklin Templeton, fortalecendo nossa capacidade de entregar expertise dedicada em cripto para clientes globalmente.”
Além dos ETFs: a virada para gestão ativa
A Franklin Templeton já gerencia aproximadamente US$ 1,8 bilhão em ativos digitais, incluindo um ETF de Bitcoin e estratégias de tokenização. Mas a criação da Franklin Crypto representa uma mudança de direção clara: sair do modelo passivo (ETFs que simplesmente replicam o preço do BTC) para oferecer estratégias ativas com gestores especializados.
Perkins foi direto ao justificar o movimento: “O momento institucional do cripto chegou”, disse ele, destacando a crescente demanda de grandes investidores por exposição estruturada e gerida profissionalmente a ativos digitais.
A tendência é confirmada pelo mercado: de acordo com dados da Yahoo Finance, o volume total de M&A cripto em 2026 deve superar US$ 37 bilhões — e a aquisição da 250 Digital faz parte dessa onda. Não à toa, o Morgan Stanley também entrou na corrida com seu ETF de Bitcoin no início do trimestre.
Pagamento via tokens: M&A na blockchain
Um elemento inédito da transação merece destaque: parte do pagamento pela 250 Digital será feito em BENJI tokens, vinculados ao fundo monetário do governo americano tokenizado da própria Franklin Templeton — o Franklin OnChain U.S. Government Money Fund. O fundo já usa infraestrutura blockchain para processar transações e registrar propriedade.
Na prática, isso representa os primeiros passos concretos de uma fusão e aquisição (M&A) liquidada parcialmente em ativos tokenizados diretamente em rails blockchain — algo praticamente inédito em operações desse porte no mercado tradicional.
A transação ainda depende de aprovações regulatórias e deverá ser concluída no segundo trimestre de 2026. Os termos financeiros não foram divulgados publicamente. A Franklin já colaborava com a Binance em produtos institucionais, e este movimento aprofunda ainda mais sua integração ao ecossistema cripto.
Com a Franklin Crypto, o setor ganha mais um sinal inequívoco de que as grandes gestoras tradicionais não estão apenas tolerando as criptomoedas — estão construindo negócios completos dentro desse mercado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





