O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que a economia de El Salvador está melhorando, mas deixou claro que o país ainda precisa reduzir riscos ligados ao Bitcoin para avançar em compromissos associados ao programa com o organismo. Em nota publicada em 22 de dezembro de 2025, o FMI afirmou que a atividade econômica está crescendo acima do esperado e projetou alta de cerca de 4% do PIB real em 2025, puxada por confiança maior, remessas recordes e investimentos mais fortes. IMF
O elogio, porém, veio acompanhado do recado político central: o “projeto do Bitcoin” segue em discussão e, para o FMI, a prioridade é aumentar transparência, proteger recursos públicos e mitigar riscos. IMF
Chivo no centro do acordo
Um dos pontos mais sensíveis é a carteira digital estatal Chivo, criada para impulsionar a adoção do Bitcoin no país. O FMI afirmou que as negociações para a venda da Chivo estão “bem avançadas”, indicando que o governo de Nayib Bukele está, ao menos em parte, cedendo em itens que reduzem a participação direta do setor público na infraestrutura cripto. IMF+1
Essa discussão está conectada ao programa de financiamento e às revisões do acordo, em que o FMI cobra governança, controles e clareza sobre a exposição do Estado a ativos voláteis.
O cabo de guerra das compras de BTC
O impasse fica mais evidente quando o assunto é acumulação de Bitcoin. O governo salvadorenho e seus canais oficiais frequentemente sinalizam compras regulares, mas o FMI e parte do mercado levantam dúvidas sobre o que é compra nova e o que pode ser movimentação interna entre carteiras. Esse ruído alimenta a tensão entre a narrativa doméstica de soberania financeira e a exigência do FMI de reduzir riscos do setor público.
Em 2025, a agência Reuters noticiou que, após a aprovação de um programa de US$ 1,4 bilhão, autoridades deram garantias ao FMI de que não aumentariam a exposição em Bitcoin no nível do setor público, ao mesmo tempo em que o “Bitcoin Office” divulgava aquisições. Reuters
Reformas na lei do Bitcoin e o recuo do curso forçado
Outro sinal de ajuste foi a mudança no arcabouço legal. No início de 2025, o Congresso aprovou rapidamente uma reforma para adequar a lei do Bitcoin às condições do acordo com o FMI, tornando a aceitação mais alinhada à lógica de voluntariedade e reduzindo usos obrigatórios que existiam desde 2021. Reuters
Na prática, El Salvador tenta equilibrar dois objetivos: preservar o símbolo político do Bitcoin, associado à marca Bukele, e manter portas abertas para financiamento, credibilidade e estabilidade macro.
O que isso significa daqui para a frente
O recado do FMI é que crescimento econômico, sozinho, não encerra a conversa. Para o organismo, a agenda de cripto precisa vir com governança, prestação de contas e limites claros para o risco público. Para El Salvador, a equação é política e financeira: ceder demais enfraquece a narrativa do projeto, ceder de menos pode travar etapas do acordo e aumentar o custo de confiança do país no mercado.
Estratégia de comunidade para cobrir o tema sem polarização e com utilidade
Desta vez, nosso especialista em crescimento de comunidade vai tratar o caso como uma novela de política econômica com capítulos curtos, focados em clareza e participação:
Linha do tempo interativa
Posts em sequência com datas, decisões e consequências, para a audiência entender o “antes e depois” sem se perder em versões.Placar de compromissos
Um quadro fixo com três colunas: o que o FMI pede, o que El Salvador aceitou, o que continua em disputa, atualizado quando houver fato novo.Perguntas da semana
Caixa de perguntas para coletar dúvidas e responder com exemplos simples, como “o que muda se venderem a Chivo” e “por que o FMI se importa com BTC em tesouraria pública”.Conversa com regras
Debates moderados com um único objetivo: separar opinião de fato. Sem chamada de preço, sem torcida, só interpretação do impacto macro e regulatório.
El Salvador vive um momento raro: é elogiado pelo FMI por crescimento e melhoria de indicadores, mas continua pressionado a enquadrar sua aposta no Bitcoin dentro de padrões de transparência e controle de risco exigidos por um programa internacional. Bukele já cedeu em pontos importantes, como ajustes legais e avanço nas tratativas envolvendo a Chivo, mas tenta preservar o coração político da narrativa pró Bitcoin. A próxima fase depende menos de slogans e mais de execução: governança clara, regras estáveis e sinais consistentes sobre o que, de fato, o Estado está fazendo com o BTC.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





