O mercado cripto no Brasil vive uma fase que lembra o mercado financeiro nacional da década de 1990: pouco padronizado, ainda construindo regras e com infraestrutura em evolução. A comparação foi feita por André Portilho, sócio do BTG Pactual e head da Mynt, em conversa com Igor 3K no Flow Podcast.
Segundo Portilho, nos anos 90 o mercado tradicional era menos desenvolvido, com estruturas incompletas e regulação em formação. Ele lembra que a abertura ao investidor estrangeiro ganhou força a partir de 1994, com mudanças regulatórias e o impacto do Plano Real na queda da inflação, acelerando a profissionalização do setor. Para ele, o cripto está no mesmo “meio do caminho”, ainda ajustando bases para crescer com mais escala e participação de capital institucional.
“Perdi a onda do Bitcoin” ainda faz sentido?
No episódio, Igor 3K questiona se o investidor chegou tarde, já que a maior parte do Bitcoin já foi minerada. Portilho rebate pelo tamanho relativo do mercado: mesmo com a relevância atual, ele argumenta que o valor total do Bitcoin ainda é pequeno quando comparado a classes maduras como ouro e ações, o que abre espaço para crescimento se a adoção continuar avançando.
Regulação como gatilho para o “capital grande”
Portilho também reforça a tese de que a regulação não deve mirar a tecnologia, mas sim os intermediários. A leitura é que regras claras para prestadores de serviços aumentam segurança e previsibilidade, o que destrava a entrada de investidores e instituições maiores.
No Brasil, o Banco Central publicou em novembro de 2025 um conjunto de normas que estrutura a regulação do mercado de ativos virtuais e incorpora obrigações e limites em áreas como câmbio e operações com ativos virtuais, criando um marco de supervisão para empresas do setor.
A estratégia do nosso especialista em crescimento de comunidade
Em vez de tratar a fala como “opinião de executivo”, a estratégia é transformar o paralelo com os anos 90 em uma narrativa educativa de três atos:
Antes
Conteúdos curtos mostrando como era o mercado nos anos 90: menos acesso, menos regras, mais fricção para operar.Agora
Explicar onde o cripto ainda é “anos 90”: custódia, padrões, educação do investidor e assimetria de informação.Depois
Mostrar o que muda quando a regulação amadurece: entrada institucional, produtos melhores, mais proteção ao usuário e redução de golpes.O objetivo é fazer a comunidade entender contexto e processo, sem prometer preço e sem estimular FOMO.
A comparação de Portilho coloca o cripto em um enquadramento útil: um mercado em construção, com potencial, mas que exige paciência, infraestrutura e regras para atrair escala. Se a história se repetir, a consolidação tende a vir menos de “moda” e mais de regulação, governança e produtos que facilitem o uso com segurança.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





