O candidato do Partido Republicano, Donald Trump, foi eleito novamente para a presidência dos Estados Unidos (EUA) no pleito de ontem (8) e contará com uma base de deputados que são, em sua maioria, favoráveis a temas ligados a cripto. De acordo com a organização Stand with Crypto, que tem membros como Coinbase, Paxos, Ligthspark e Kraken, até as 14h58 de hoje, havia 257 dos deputados eleitos pró-cripto, ante 115 contra as moedas digitais. No Senado, o cálculo era de 16 a favor e 12 contra. No total, as duas casas têm 435 e 100 assentos, respectivamente.
Apenas os estados de Vermont e Maine não contabilizavam ainda nem deputados e nem senadores pró-cripto eleitos. Mas cada um contabilizava 1 deputado e 1 senador anti-cripto. No Texas, o total de pró-criptos era de 30 entre Câmara e Senado. Na Flórida, 21. Em ambos, os números penderam para esse grupo com folga. Mas na Califórnia, onde o total foi de 20, houve 19 pró e 14 contra. E um senador a favor.
A esse cenário no Executivo e Legislativo se junta a expectativa do mercado de criptomoedas de que reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) também serão dirigidas por profissionais pró-cripto. O atual presidente, Gery Gensler, tem mandato de cinco anos até abril de 2026. O mandato de Trump começa em 20 de janeiro de 2025. É o presidente dos EUA que nomeia os cinco comissários da SEC e indica quem será o presidente. Mas, não pode demiti-los.
A euforia do mercado cripto com a vitória de Trump, que se disse pró-cripto, se refletiu claramente no preço do bitcoin (BTC), que bateu novo recorde. Desde as 21h de ontem até 3h40 desta quarta-feira, o preço subiu até a faixa de US$ 75.320, nova marca história. Assim, superou o recorde de março passado de US$ 73,7 mil. Chegou inclusive a ter altas de dois dígitos em 24 horas, como nesta manhã. Às 14h06 baixou um pouco para a faixa de US$ 74.530, alta de 6%. Em 7 dias a alta é de 3,7%. Com isso, os gráficos de sentimento do mercado estão com a seta apontada para “positivo”.
Em reais, o curva foi mais ascendente, para depois despencar no início da tarde. Às 13h45, a cotação era de R$ 459,4 mil e às 13h55 baixou para R$ 425, 5 mil, ensaiando uma retomada logo em seguida. Outras moedas digitais acompanharam o movimento. Outras criptos como Solana e XRP, essa última com um histórico de disputas com a Comissão de Valores Mobiliários (SEC), também tiveram altas significativas.
A Binance, da qual o ex-CEO, Changpeng Zhao, terminou recentemente de cumprir um período na prisão nos EUA, disse em comunicado ter a “esperança de que os EUA implementem políticas que apoiem a inovação no setor Web3 e que protejam os usuários, especialmente à medida que a adoção continua a crescer”.
Israel Buzaym, especialista cripto do Bitybank, lembra que Trump se diz pró-cripto, fez promessas de apoio aos investimentos institucionais e ETFs, e se disse contra as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), como o Drex. Para o analista, os indicadores de sobrecompra mostram que após subidas rápidas, “o bitcoin frequentemente passa por correções, geralmente impulsionadas pela realização de lucros. ETFs, que acumularam grandes quantidades de Bitcoin nos últimos meses, podem considerar o momento atual como uma oportunidade para realizarem ganhos”. Mas, a tendência no longo prazo é de alta por conta da escassez e demanda crescente.
Segundo Guilherme Nazar, vice-presidente regional da Binance para a América Latina, a alta de 75% do bitcoin em 2024 tem tido o impacto, no ano, também de fatores macroeconômicos. Entre eles, a recente redução da taxa de juros em economias relevantes, dentre elas os EUA, Zona do Euro e China, que injetou liquidez nos mercados de capitais. Soma-se a isso a expectativa de cortes adicionais”.
O halving também ajudou a puxar os preços, diz Felipe Vallejo, Diretor de Corporate Affairs da Bitso. “Apesar da euforia, é essencial acompanhar o desenvolvimento da economia norte-americana nos próximos meses, especialmente em um contexto global de grandes conjunturas geopolíticas, completou.
*Reportagem em atualização.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





