O Departamento do Trabalho dos EUA propôs uma regra que facilita a inclusão de criptomoedas em planos 401(k), abrindo trilhões de dólares em poupança de aposentadoria para ativos digitais. A medida atende a uma ordem executiva de Trump e conta com apoio de 73% dos investidores institucionais, segundo pesquisa Coinbase/EY-Parthenon.
O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos publicou na segunda-feira (30) uma proposta de regra que pode mudar radicalmente o acesso de americanos a criptomoedas por meio de seus planos de aposentadoria. Se aprovada, a medida permitirá que gestores de planos 401(k) incluam ativos digitais, private equity e imóveis entre as opções de investimento.
A regra responde diretamente a uma ordem executiva assinada por Donald Trump em agosto de 2025, que determinou à SEC e ao Departamento do Trabalho a facilitação do acesso a ativos alternativos em carteiras de aposentadoria. “Esta regra proposta mostrará como planos podem considerar produtos que refletem melhor o cenário de investimentos atual”, disse a secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer.
Trilhões de dólares em jogo
Os planos 401(k) nos EUA somam trilhões de dólares em poupança. Mesmo uma alocação mínima — como 1% do portfólio de um grande plano — representaria milhões fluindo para fundos ou tokens cripto. A proposta marca uma ruptura com o modelo tradicional focado exclusivamente em ações e títulos públicos.
A mudança ganha contexto quando se observa o apetite institucional crescente. Uma pesquisa recente da Coinbase e EY-Parthenon, com 351 investidores institucionais (96% gerindo mais de US$ 1 bilhão), revelou que 73% planejam aumentar suas alocações em cripto em 2026 e 74% esperam valorização dos preços nos próximos 12 meses.
A proposta se soma à classificação de 16 criptomoedas como commodities digitais pela SEC e CFTC em 17 de março — incluindo Bitcoin, Ethereum, Solana e XRP — o que remove uma das maiores barreiras para a entrada de fundos regulados no mercado cripto.
Críticos alertam para riscos
Nem todos celebram a iniciativa. A senadora Elizabeth Warren criticou a proposta duramente: “Enquanto rachaduras surgem no mercado de crédito privado, retornos de private equity caem a mínimas de 16 anos e cripto segue caindo, Trump decidiu que agora é a hora de enfiar todos esses ativos de risco nos 401(k) dos americanos.”
Consultores financeiros também levantam preocupações de que muitos participantes de 401(k) não possuem conhecimento técnico suficiente para navegar investimentos mais sofisticados, que podem envolver maior volatilidade, menor liquidez e taxas mais altas.
Em maio do ano passado, o Departamento do Trabalho já havia revogado orientações anteriores que recomendavam “extremo cuidado” antes de adicionar cripto a planos de aposentadoria — um sinal claro da mudança de postura do governo federal.
Impacto no mercado cripto
O momento da proposta é relevante. O mercado cripto opera em um cenário de pressão geopolítica e volatilidade, com o Bitcoin abaixo de US$ 69 mil e o Fear & Greed Index em nível de “medo extremo”. Ainda assim, a perspectiva de fluxo institucional massivo via aposentadoria pode servir como catalisador de médio prazo.
Se a regra for adotada, representará uma das maiores aberturas regulatórias para cripto nos EUA — transformando planos de aposentadoria em um novo canal de demanda estrutural para ativos digitais.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





