O Bitcoin caiu para US$ 65.800 nesta sexta-feira (27), acumulando queda de quase 4% em 24 horas. A escalada do conflito entre EUA-Israel e Irã — incluindo ataques a instalações nucleares iranianas e o fechamento do Estreito de Ormuz — derrubou ativos de risco globalmente. O Fear & Greed Index marca 13, nível de medo extremo.
O Bitcoin (BTC) perdeu o suporte de US$ 67.000 nesta sexta-feira e opera próximo dos US$ 65.800, no menor nível desde o início de março. A queda de quase 4% nas últimas 24 horas acompanha um selloff generalizado nos mercados globais provocado pela intensificação do conflito no Oriente Médio.
Como reportamos na matéria sobre a volatilidade após a pausa de Trump nos ataques ao Irã, o mercado cripto tem reagido violentamente a cada desdobramento geopolítico. Desta vez, o gatilho foi a confirmação de ataques israelenses a instalações nucleares iranianas e a manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária.
Guerra no Irã empurra petróleo acima de US$ 92 e derruba mercados
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou no 28º dia sem sinais de resolução. Nas últimas horas, Israel confirmou ataques a instalações ligadas ao programa nuclear iraniano, enquanto o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado para navios ocidentais — uma decisão que já dura quase quatro semanas.
O bloqueio do estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, empurrou o barril acima de US$ 92, alimentando temores inflacionários que pesam diretamente sobre ativos de risco como criptomoedas.
Autoridades do Federal Reserve já sinalizaram que a pressão nos preços de energia pode impactar futuras decisões sobre juros. Com a taxa básica mantida entre 3,50% e 3,75%, o mercado começa a precificar que cortes de juros podem ser adiados se a inflação energética persistir.
Como analisamos quando o Bitcoin caiu abaixo de US$ 70 mil após a decisão do Fed, a combinação de juros altos com incerteza geopolítica cria um cenário particularmente difícil para cripto.
Liquidações passam de US$ 300 milhões em 24 horas
Dados de derivativos mostram que mais de US$ 300 milhões em posições foram liquidadas nas últimas 24 horas, com posições compradas (longs) representando aproximadamente US$ 287 milhões do total. O Ethereum perdeu o nível de US$ 2.000 e negocia a US$ 1.982, enquanto a Solana recuou 4,3% para US$ 82,30.
O Fear & Greed Index caiu para 13 — território de medo extremo e o nível mais baixo registrado em 2026. Historicamente, leituras abaixo de 15 costumam coincidir com fundos locais, mas o contexto atual de guerra aberta adiciona uma variável que o mercado não via desde a invasão da Ucrânia em 2022.
ETFs de Bitcoin spot nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 171 milhões em um único dia, com o IBIT da BlackRock perdendo quase US$ 42 milhões. Foi a maior retirada em mais de três semanas, revertendo o fluxo positivo que havia acumulado US$ 2,5 bilhões em março.
O que esperar daqui?
Trump anunciou uma pausa de 10 dias nos ataques a instalações energéticas iranianas, com prazo até 6 de abril. Qualquer evolução diplomática — ou fracasso nas negociações — tem potencial de gerar movimentos bruscos no preço do Bitcoin.
Analistas técnicos alertam para a formação de uma bandeira de baixa (bearish flag) no gráfico diário, padrão semelhante ao que precedeu a queda de US$ 89.000 para US$ 60.000 em fevereiro. Um fechamento diário abaixo de US$ 66.000 pode confirmar o rompimento e abrir caminho para os US$ 46.000, segundo o analista Crypto Patel.
Por outro lado, o nível de medo extremo no mercado e o volume de liquidações sugerem que boa parte da alavancagem já foi eliminada. Investidores com horizonte mais longo podem encontrar oportunidades — historicamente, comprar em períodos de Fear & Greed abaixo de 15 rendeu retornos positivos em 12 meses.
O mercado cripto segue refém dos desdobramentos geopolíticos. Enquanto a guerra no Irã não tiver resolução clara, a volatilidade deve permanecer elevada.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





