ETFs de Bitcoin spot nos EUA registraram US$ 296 milhões em saídas líquidas na semana, com o IBIT da BlackRock perdendo US$ 201,5 milhões em dois dias — a maior retirada em quase dois meses. O movimento coincide com o vencimento de US$ 14 bilhões em opções de BTC e o Fear & Greed Index em 12, indicando medo extremo.
Os ETFs de Bitcoin spot nos Estados Unidos encerraram a semana com um saldo negativo de US$ 296,18 milhões, marcando a primeira semana de saídas líquidas em março de 2026. O dado foi divulgado neste sábado (28) e confirma uma reversão brusca no sentimento institucional que vinha sustentando o preço do BTC acima dos US$ 70 mil.
O principal destaque negativo ficou por conta do iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, que registrou retiradas de US$ 201,5 milhões em apenas dois dias — a maior saída do fundo em quase dois meses. Fidelity, ARK Invest e Grayscale também contribuíram para o cenário de saídas generalizadas.
Vencimento de US$ 14 bilhões em opções amplificou a pressão
O movimento de venda nos ETFs não aconteceu isoladamente. Na sexta-feira (27), cerca de US$ 14,16 bilhões em opções de Bitcoin e US$ 2,22 bilhões em opções de Ethereum expiraram na Deribit, a maior bolsa de derivativos crypto do mundo. Foi o maior vencimento trimestral de 2026.
Segundo dados da exchange, o evento eliminou cerca de 40% das posições em aberto na plataforma. O chamado “max pain” — preço em que a maioria dos contratos expira sem valor — estava entre US$ 74.000 e US$ 75.000, muito acima do preço atual de negociação.
Com o BTC sendo negociado a US$ 66.350, a diferença entre preço spot e max pain sugere que a pressão vendedora que já havia gerado US$ 550 milhões em liquidações dias atrás continuou dominando o mercado.
Fear & Greed em 12: medo extremo domina
O Crypto Fear & Greed Index atingiu 12 pontos neste sábado — classificado como “medo extremo” e próximo das mínimas do ano. O indicador, que combina volatilidade, volume, redes sociais e dominância do Bitcoin, sinaliza que o mercado está em modo de aversão ao risco.
Para efeito de comparação, o índice estava em 11 pontos na semana anterior, quando o Bitcoin caiu para US$ 65.800 em meio a tensões geopolíticas com o Irã. A persistência do medo extremo por semanas consecutivas é um fenômeno raro e mostra a gravidade do cenário atual.
Institucionais recuam, mas há sinais de acumulação
Apesar das saídas em ETFs, nem todo o cenário institucional é negativo. Alguns relatórios apontam que grandes holders estão absorvendo oferta silenciosamente nos níveis atuais — uma dinâmica similar ao que aconteceu no início de 2024, antes da aprovação dos ETFs spot.
A questão central é se a venda da BlackRock representa uma realocação tática ou o início de uma tendência de saída mais longa. Como observamos em nossa análise sobre as captações de março, o mês havia começado com fluxos positivos expressivos, o que torna a reversão ainda mais significativa.
O Bitcoin é negociado a US$ 66.350 no momento desta publicação, acumulando queda de 24,6% no ano e operando 48% abaixo da máxima histórica de US$ 126.021 registrada em outubro de 2025.
O que esperar na próxima semana
Com o vencimento trimestral de opções já liquidado, analistas da TheStreet Crypto alertam que a volatilidade pode persistir no curto prazo, mas que a eliminação de posições alavancadas costuma abrir espaço para movimentos mais orgânicos no preço.
Os próximos catalisadores a monitorar incluem dados de emprego nos EUA na terça-feira, a evolução das negociações de paz no Oriente Médio e os fluxos de ETFs na abertura da próxima semana — que darão o tom sobre se a venda institucional foi pontual ou marca uma mudança de tendência.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





