O Bitcoin recuperou o nível de US$ 71 mil nesta terça-feira (24), em um rali de alívio que liquidou mais de US$ 550 milhões em posições vendidas nas últimas 24 horas. O movimento acontece mesmo com o índice Fear & Greed registrando 11 pontos — o menor nível de 2026, classificado como “medo extremo”.
A alta de aproximadamente 4% foi impulsionada por uma combinação de fatores: a pausa anunciada pelo presidente Donald Trump nas operações militares contra o Irã, sinais de acumulação institucional e um squeeze técnico de posições short que amplificou o movimento de preço.
US$ 550 milhões em shorts liquidados em 24 horas
Dados de derivativos mostram que a maior parte das liquidações atingiu posições bearish. O open interest em futuros de BTC caiu de 229.000 BTC para 228.000 BTC, indicando que o rali não foi impulsionado por alavancagem nova — mas sim pela saída forçada de vendidos.
As funding rates de contratos perpétuos para as principais criptomoedas ficaram entre 5% e 10%, pintando um cenário de cautela otimista nos derivativos. No Deribit, opções de proteção (puts) ainda mostram prêmio sobre calls, mas a diferença caiu de 8-10 pontos de volatilidade na segunda-feira para 5-6 pontos hoje.
Fear & Greed em 11: medo extremo como sinal contrário
O índice de Medo e Ganância do mercado cripto atingiu 11 pontos — a leitura mais baixa de todo o ano de 2026. Historicamente, níveis similares de medo extremo registrados em 2022 e 2024 precederam altas de 15% a 20% nos 30 dias seguintes, com probabilidade estimada entre 60% e 75%.
O volume de negociação nas últimas 24 horas alcançou US$ 124,88 bilhões — 34% acima da média dos últimos 20 dias — sinalizando participação institucional ativa durante o pânico do varejo.
Ethereum supera Bitcoin com alta de 5%
O Ethereum subiu 5,16%, reconquistando o patamar de US$ 2.154 e superando o desempenho do BTC. O par ETH/BTC ganhou 1,31%, negociado a 0,0304 BTC. Endereços ativos diários na rede Ethereum saltaram 18,2%, chegando a 487 mil.
Entre as altcoins, Solana liderou com alta de 6,48% a US$ 91,62, impulsionada por volume recorde em DEXs de US$ 1,84 bilhão. Dogecoin subiu 5,74% e XRP avançou 3,48%.
Contexto geopolítico mantém pressão
O rali acontece em meio a tensões persistentes no Oriente Médio. O petróleo segue próximo de US$ 100 por barril, e os futuros de índices americanos (Nasdaq 100 e S&P 500) operam no vermelho. Ainda assim, o Bitcoin tem superado o ouro — ativo tradicional de proteção — desde o início do conflito.
Analistas alertam que, apesar da recuperação, o mercado pode formar uma nova mínima. O patamar de US$ 68 mil se estabeleceu como suporte imediato, enquanto a resistência relevante está em US$ 72.400 (pivot semanal) e US$ 74.800 (média móvel de 50 dias).
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





