ETFs cripto listados nos EUA acumulam cerca de US$ 4,4 bilhões em saídas ao longo de 13 sessões, segundo dados citados pelo CoinDesk. A pressão, antes concentrada em Bitcoin, agora também alcança fundos de Ether, Solana e XRP, enquanto produtos ligados à HYPE destoam com entradas líquidas.
O movimento de resgates nos ETFs cripto dos Estados Unidos ganhou uma nova camada nesta quinta-feira (4): a fuga de capital deixou de ser apenas uma história de Bitcoin e passou a atingir também produtos ligados a Ether, Solana e XRP. De acordo com dados da SoSoValue citados pelo CoinDesk, os ETFs spot de Bitcoin somam 13 sessões seguidas de saídas, com cerca de US$ 4,37 bilhões retirados desde meados de maio.
A leitura importa porque os ETFs foram uma das principais fontes de demanda institucional durante a alta recente do mercado. Quando esses veículos passam de compradores líquidos para vendedores recorrentes, a pressão deixa de ser apenas técnica e começa a afetar a narrativa de entrada de capital de Wall Street no setor.
IBIT lidera saídas em dia negativo para ETFs
Na quarta-feira, os ETFs spot de Bitcoin dos EUA registraram aproximadamente US$ 396,6 milhões em saídas líquidas. O IBIT, da BlackRock, concentrou a maior parte do movimento, com cerca de US$ 342,3 milhões em resgates no dia, ainda segundo os dados compilados pela SoSoValue.
O total de ativos dos fundos de Bitcoin também recuou com força: saiu de cerca de US$ 104,29 bilhões para US$ 82,83 bilhões durante a sequência negativa. Esse encolhimento reflete tanto a queda do preço do BTC quanto a retirada líquida de cotistas.
O CriptoBR já vinha acompanhando essa deterioração nos fluxos. No fim de maio, os ETFs de Bitcoin já batiam recorde de saques seguidos; no começo de junho, a pressão reapareceu no preço quando o Bitcoin abriu o mês sob pressão de ETFs e tensão global.
Altcoins entram na onda de resgates
A novidade agora é a contaminação dos fundos de altcoins. Produtos ligados a Ether, Solana e XRP também passaram a registrar saídas líquidas sustentadas, revertendo parte do otimismo que havia cercado a expansão dos ETFs além do Bitcoin.
Isso muda o sinal para traders e gestores. Em vez de uma rotação simples de Bitcoin para altcoins, os dados sugerem uma redução mais ampla de exposição a cripto via veículos regulados. Em períodos assim, liquidez tende a migrar para ativos considerados mais defensivos, como stablecoins, caixa ou setores fora do universo cripto.
A exceção destacada no levantamento é a HYPE, ligada ao ecossistema Hyperliquid, que segue atraindo entradas enquanto os principais ETFs cripto sangram. O contraste mostra que ainda há apetite por teses específicas, mas não o suficiente para neutralizar a saída dos produtos maiores.
Preço do Bitcoin sente o impacto
A piora dos fluxos coincidiu com uma nova queda do Bitcoin. Em outra atualização publicada nesta quinta-feira, o CoinDesk informou que o BTC caiu abaixo de US$ 62 mil durante a sessão asiática, acionando mais de US$ 1,5 bilhão em liquidações de posições alavancadas no mercado cripto.
Esse tipo de queda costuma acelerar quando há alavancagem elevada. Primeiro, os resgates pressionam o preço à vista; depois, a queda força liquidações em derivativos; por fim, a venda automática aprofunda a volatilidade. Foi uma dinâmica parecida com a observada na recente liquidação de US$ 1,8 bilhão que derrubou longs cripto.
O que observar agora
O ponto central para o mercado é se a sequência de saídas perde força ou se os ETFs continuam drenando liquidez. Uma pausa nos resgates poderia aliviar a pressão de curto prazo, especialmente se vier acompanhada de recuperação no preço do Bitcoin. Já uma continuidade da sangria manteria o foco nos suportes técnicos e no apetite institucional.
Para o investidor brasileiro, a mensagem prática é simples: ETFs cripto seguem sendo uma ponte relevante entre Wall Street e o mercado digital, mas essa ponte funciona nos dois sentidos. Quando o capital entra, reforça altas; quando sai em bloco, amplia correções e muda rapidamente o sentimento do mercado.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





