Os ETFs de Bitcoin spot acumularam quase US$ 2,5 bilhões em entradas de capital somente em março de 2026, quebrando uma sequência de quatro meses consecutivos de saídas líquidas e colocando os produtos a um único dia positivo de zerar todas as perdas do ano.
Os dados foram destacados por Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, que classificou a recuperação como impressionante diante de um cenário onde o Bitcoin acumula queda de 20% no ano.
https://x.com/EricBalchunas/status/2036424641925747190
Quatro meses de sangria antes da virada
O ano de 2026 começou mal para os ETFs de Bitcoin. Em janeiro, com o BTC caindo mais de 10%, os produtos registraram US$ 1,61 bilhão em saídas líquidas. Fevereiro trouxe mais US$ 206 milhões em resgates — completando quatro meses consecutivos de fluxo negativo desde novembro de 2025.
No total, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, os ETFs de Bitcoin acumularam US$ 6,38 bilhões em saídas, o período mais bearish desde o lançamento desses produtos nos Estados Unidos.
Como reportamos na matéria sobre a retomada do Bitcoin acima de US$ 71 mil, o mercado vinha de um período de extremo medo, com o Fear & Greed Index marcando 11 — o menor nível de 2026.
BlackRock lidera a recuperação institucional
O destaque individual vai para o iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, que registrou US$ 1,324 bilhão em fluxo líquido positivo no acumulado do ano, posicionando-se entre os top 2% de todos os ETFs em termos de entradas de capital em 2026.
Outros produtos também apresentaram desempenho positivo: o Grayscale Bitcoin Mini Trust (BTC) captou US$ 249 milhões e o VanEck Bitcoin ETF (HODL) atraiu US$ 96 milhões. Do lado negativo, o FBTC da Fidelity, o GBTC da Grayscale e o ARKB da Ark Invest ainda registram saídas no ano.
Essa movimentação ganha ainda mais relevância quando consideramos que a Strategy comprou quase 90 mil BTC no trimestre e que a Morgan Stanley registrou seu próprio ETF de Bitcoin spot, sinalizando que o apetite institucional está longe de acabar.
Resiliência superior ao ouro
Balchunas fez uma comparação direta com o mercado de ouro: quando o metal precioso sofreu uma queda semelhante de 40% há uma década, perdeu um terço de seus investidores em fuga de capital. Os ETFs de Bitcoin, por outro lado, demonstram uma base de investidores significativamente mais resiliente.
Com as saídas líquidas do ano reduzidas a apenas US$ 210 milhões, os ETFs de Bitcoin precisam de um único dia forte de entradas para virar o saldo de 2026 para o positivo — algo perfeitamente viável considerando que fluxos diários acima de US$ 400 milhões já foram registrados neste mês.
O cenário aponta para uma dissociação crescente entre preço e convicção institucional: enquanto o varejo opera no medo extremo, as grandes gestoras continuam acumulando exposição ao Bitcoin via ETFs.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





