em abril Banco Central definirá participação de empresas cripto no Real Digital

O Banco Central do Brasil (BC) divulgou que em abril serão anunciados os projetos vencedores do programa LIFT Challenge, que tem como objetivo desenvolver provas de conceito envolvendo aplicações para o Real Digital, a CBDC do Brasil que o BC pretende lançar até o final de 2024.

No total o desafio para criação de uma prova de conceito para o Real Digital recebeu 47 propostas de empresas de oito países diferentes, e os nove projetos selecionados incluem a participação de empresas de criptomoedas como AAVE, Mercado Bitcoin, Capitual, Bitget e Consensys.

Segundo declarou o coordenador do Real Digital, Fábio Araújo, em abril o BC apresentará um relatório sobre as soluções apresentadas pelas empresas e, com base nele, irá decidir qual das provas de conceito deve avançar para testes mais amplos com o Real Digital.

Araujo destacou que o desenvolvimento do Real Digital em participação de entidades externas, como no Lift Challenge, é dividido em três frentes: o LIFT Challenge em si, um grupo de trabalho de tokenização e o piloto do real digital que foi anunciado em março deste ano e que terá como foco testar a segurança e agilidade do sistema desenvolvido no Hyperledger Besu.

Como destacou Araujo, este piloto de segurança deve começar em breve, logo após a divulgação dos projetos selecionados no Lift Challenge, com a realização de um workshop aberto para participantes do mercado e a criação de um ambiente de operações simuladas, onde BC, bancos, cooperativas e instituições de pagamento realizarão transações até o nível do usuário final.

O executivo do BC, destacou ainda que estes teste devem ser concluídos até dezembro e, em seguida, deverá ser criada uma segunda camada de testes com títulos públicos federais, até fevereiro de 2024. A partir de março de 2024, se os testes forem bem-sucedidos e as preocupações com a infraestrutura e a privacidade forem resolvidas, outros protocolos podem ser expandidos até o final do ano.

“A partir daí, o uso do real digital pode ser aberto para uma parcela maior da população”, disse.

DeFi e tokenização

Com o Real Digital o BC está se posicionando como um agente catalisador na transição das finanças tradicionais para as finanças descentralizadas, de acordo com Bruno Batavia, especialista em CBDC no BC.

Batavia fez essa declaração durante uma palestra sobre o Real Digital na Ethereum Rio 2023, na quarta-feira (29). Ele afirmou que a economia está caminhando em direção a uma economia tokenizada, e que o futuro será multichain e multiprotocolos.

Atualmente, o piloto do Real Digital é realizado na Hyperledger Besu. No entanto, Batavia explicou que a tecnologia de bridge, que permite que diferentes redes se comuniquem entre si, ainda precisa amadurecer para garantir a segurança, uma vez que as falhas de segurança nas pontes entre blockchains têm sido um ponto de dificuldade na comunidade.

O BC espera que, no futuro, o Real Digital possa se comunicar com outras redes, sejam públicas ou permissionadas. Segundo Batavia, o interesse do Banco Central em abrir as estruturas do Real Digital para outras redes depende da evolução da tecnologia para interoperabilidade. Ele também ressaltou que, à medida que a tecnologia evolui, é importante garantir a privacidade do usuário e a segurança das transações.

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