A DoorDash começou a integrar trilhos de stablecoins da Tempo para acelerar repasses internacionais a lojistas em mais de 40 países. O movimento reforça a entrada de pagamentos onchain na infraestrutura financeira tradicional e amplia a pressão sobre redes bancárias mais lentas e caras.
A DoorDash está levando pagamentos em stablecoins para sua operação global ao trabalhar com a Tempo, blockchain incubada por Stripe e Paradigm, em repasses para lojistas em mais de 40 países. Segundo a empresa e a própria Tempo, a adoção começa pelos fluxos cross-border em que velocidade de liquidação e redução de custo têm mais impacto.
Na prática, a mudança mostra que as stablecoins estão saindo do nicho cripto e entrando em casos reais de infraestrutura financeira. Em vez de depender apenas de trilhos bancários fragmentados por país, a DoorDash quer usar liquidação onchain para encurtar prazos e reduzir atrito em pagamentos internacionais, um tema que o mercado já vinha acompanhando desde que a Stripe dobrou a aposta em blockchain e stablecoins.
DoorDash mira repasses mais rápidos e baratos
De acordo com a Tempo, a DoorDash opera um marketplace de três lados, conectando consumidores, lojistas e entregadores em dezenas de mercados, cada um com regras, moedas e janelas de liquidação próprias. Isso torna o processo de pagamentos mais caro e complexo, especialmente em operações internacionais.
Ao anunciar a parceria, o cofundador da DoorDash, Andy Fang, afirmou que há “promessa real” no uso de stablecoins para transformar a infraestrutura financeira global. A companhia não detalhou uma data exata para ativação plena dos repasses, mas indicou que o rollout começa justamente onde a liquidação mais rápida gera maior valor para os comerciantes.
O anúncio foi feito pela própria Tempo em sua página oficial e depois repercutido pelo CoinDesk. A empresa descreve sua blockchain como uma rede pensada para pagamentos, com liquidação em menos de um segundo, taxas previsíveis em dólar e canais privados para operações empresariais. A lógica é diferente da maioria das redes generalistas, mais expostas a congestionamento e custos variáveis.
“There’s real promise with stablecoins transforming financial infrastructure, not just in America, but globally. We want to be a proactive participant and not just passive”, disse Andy Fang, cofundador da DoorDash, no anúncio da Tempo.
Stablecoins avançam sobre a infraestrutura financeira
O caso da DoorDash amplia um movimento maior. As stablecoins já somam cerca de US$ 300 bilhões em valor de mercado e vêm sendo tratadas cada vez mais como uma camada operacional para pagamentos globais, não apenas como ativo de trading. Esse avanço aparece tanto em empresas privadas quanto em bancos e governos, como mostrou a recente iniciativa de 12 bancos para uma stablecoin em euro.
No ecossistema da própria Tempo, Stripe já usa a infraestrutura como camada central de movimentação de dinheiro, enquanto empresas como Coastal Bank e ARQ também estão levando partes de suas operações para trilhos baseados em stablecoins. Esse cenário ajuda a explicar por que projetos de pagamentos e liquidação estão ganhando espaço mesmo em meio ao debate regulatório, que recentemente levou o BIS a alertar para a fragmentação das regras de stablecoins.
Para o setor cripto, o ponto mais relevante é que a tese de uso real continua ganhando corpo fora do universo de exchanges. Se uma gigante de delivery consegue reduzir custo e tempo de liquidação com stablecoins, o argumento para adoção por marketplaces, plataformas de freelancers e fintechs fica mais forte. Ao mesmo tempo, essa expansão tende a concentrar a disputa em torno de compliance, privacidade, interoperabilidade e escolha da infraestrutura certa para operações em escala.
Para o leitor, o recado é simples: o próximo ciclo de adoção pode depender menos de especulação com tokens e mais de empresas usando blockchain nos bastidores para mover dinheiro melhor. A entrada da DoorDash nesse trilho sugere que as stablecoins continuam avançando onde a dor operacional é clara, especialmente em pagamentos internacionais.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





