A Digital Asset captou US$ 355 milhões em uma rodada liderada pela a16z crypto para acelerar a Canton Network. A rodada reforça o avanço de bancos, gestoras e mesas de negociação em infraestrutura blockchain privada para ativos tokenizados.
A Digital Asset, empresa por trás da Canton Network, levantou US$ 355 milhões em uma nova rodada de financiamento liderada pela a16z crypto. O capital será usado para expandir a infraestrutura da Canton, uma blockchain voltada a instituições financeiras que querem tokenizar e liquidar ativos tradicionais sem abrir mão de privacidade, compliance e interoperabilidade.
O tamanho da rodada chama atenção porque chega em um momento de mercado mais seletivo para cripto, mas com apetite crescente por trilhos institucionais. Segundo comunicado da Digital Asset, participaram investidores como 7RIDGE, ABN Amro, Abu Dhabi Investment Authority, Apollo Funds, BNP Paribas, Broadridge, Citadel Securities, CME Ventures, Coinbase Ventures, HSBC, Optiver, Polychain, S&P Global, SBI Group, SoFi e Tradeweb.
Wall Street acelera a tese de tokenização
A rodada coloca a Canton no centro da disputa por infraestrutura de mercado de capitais on-chain. Em vez de mirar apenas usuários de varejo, a rede foi desenhada para fluxos regulados, nos quais bancos, corretoras, bolsas e gestores precisam compartilhar dados de liquidação sem expor informações comerciais sensíveis a todos os participantes da rede.
Esse ponto é crucial para a adoção institucional. Em blockchains públicas tradicionais, a transparência é uma vantagem para auditoria e verificabilidade, mas pode ser um problema quando envolve posições, clientes, estratégias e negociações de grandes instituições. A proposta da Canton é permitir interoperabilidade entre aplicações financeiras com controles de privacidade mais próximos do que bancos e mercados regulados já exigem.
A movimentação conversa diretamente com uma tendência que já vem aparecendo em outras frentes. O CriptoBR mostrou recentemente como o Citi lançou recibos tokenizados para ações privadas, enquanto a DTCC prepara infraestrutura para ativos tokenizados em Wall Street. A diferença, agora, é o volume de capital e a lista de investidores entrando em uma mesma tese de infraestrutura.
Por que a Canton importa
De acordo com a Digital Asset, a Canton já reúne mais de 700 participantes em seu ecossistema. A empresa afirma que a rede foi construída para aplicações de produção em mercados financeiros, com foco em ativos do mundo real, liquidação, colateral, registros e fluxos entre instituições.
O CEO e cofundador da Digital Asset, Yuval Rooz, disse no comunicado que a adoção de blockchain será definida por aplicações práticas em grandes mercados, não apenas por experimentos. A leitura é simples: para capital de mercado migrar para trilhos on-chain, a infraestrutura precisa refletir como instituições realmente operam, com privacidade, escala, compliance e capacidade de conexão entre sistemas.
A a16z crypto também apresentou a rodada como uma aposta em produto com encaixe claro no setor financeiro regulado. Ali Yahya, general partner da gestora, afirmou que a tokenização de ativos reais e fluxos institucionais deixou de ser uma oportunidade teórica e começa a aparecer em casos concretos.
Financiamento reforça disputa por RWA
A rodada ocorre em meio ao crescimento do mercado de ativos tokenizados, conhecido como RWA. Títulos públicos, crédito privado, fundos, ações privadas e depósitos tokenizados têm ganhado espaço porque prometem liquidação mais rápida, maior programabilidade e operação contínua. Ainda assim, o setor enfrenta desafios de padronização, governança, custódia e integração com normas locais.
Nesse cenário, redes como a Canton tentam ocupar uma faixa específica do mercado: menos aberta e experimental que DeFi puro, mas mais interoperável e programável que a infraestrutura financeira tradicional. Isso explica por que a lista de investidores mistura nomes de cripto, bancos, trading firms e empresas ligadas ao mercado de capitais.
O CriptoBR também noticiou que a Visa testou stablecoin privada com a Brale na Canton, outro sinal de que a rede vem sendo usada como ambiente para produtos financeiros que exigem controle de acesso e privacidade. Se a nova rodada acelerar integrações reais, a Canton pode se tornar uma das principais vitrines da tokenização institucional nos próximos ciclos.
Para o leitor, o ponto principal é que a narrativa de blockchain em Wall Street está ficando menos dependente de preço de token e mais ligada a infraestrutura. A entrada de capital em empresas como a Digital Asset indica que parte do mercado tradicional segue construindo, mesmo quando Bitcoin, Ether e outros ativos passam por períodos de menor tração nos gráficos.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





