Um novo estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) afirmou que o Brasil não precisa criar uma moeda digital de banco central. O relatório sustenta que o Pix já cumpre as funções essenciais de uma CBDC de varejo, oferecendo liquidação instantânea, inclusão financeira e baixo custo para os usuários. A análise surge em um momento decisivo para o projeto Drex, que passa por revisão após quatro anos de testes com tecnologias de registro distribuído.
O documento, intitulado Competing digital monies, compara pagamentos instantâneos, depósitos bancários e moedas digitais emitidas pelo Estado. Segundo os pesquisadores, países que possuem sistemas eficientes, amplamente adotados e operados pelo setor público já alcançaram os resultados que uma CBDC promete entregar. No caso brasileiro, o Pix se tornou uma das infraestruturas mais completas do mundo, alcançando mais de 90% da população adulta.
O estudo descreve o Pix como um ambiente que já reduz custos de transação, acelera pagamentos, substitui métodos tradicionais e fortalece a digitalização da economia. Os pesquisadores afirmam que introduzir uma CBDC paralela pode gerar complexidade adicional, risco de competição com depósitos bancários e custos de manutenção que não trariam benefícios adicionais ao consumidor.
A conclusão do BIS coincide com o momento em que o Banco Central revisa a estratégia do Drex. Gabriel Galípolo, presidente do BC, revelou que o uso da tecnologia Hyperledger Besu não atingiu os requisitos de privacidade e escalabilidade exigidos pela autoridade monetária. Com isso, o Drex deverá ser reorientado para se concentrar em tokenização de garantias e expansão do crédito, utilizando uma arquitetura mais centralizada e adequada às demandas regulatórias.
Para o governo, a prioridade passa a ser entregar benefícios práticos para a população e para o sistema financeiro, utilizando ferramentas que já demonstram maturidade. A adoção de blockchain perde protagonismo e abre espaço para modelos tecnológicos que cumpram requisitos de sigilo bancário e interoperabilidade.
Segundo nosso especialista em crescimento de comunidade, o estudo do BIS reforça algo que o mercado brasileiro já percebia: o país desenvolveu um dos sistemas de pagamento mais eficientes do mundo. Ele observa que a força do Pix não se limita à tecnologia, mas sim à adoção massiva e à integração com a rotina das pessoas. Para ele, insistir em uma CBDC apenas pela inovação poderia gerar custos desnecessários e confundir os usuários. Ele destaca ainda que o Brasil está melhor posicionado ao focar em aplicações concretas de tokenização e em projetos que realmente simplifiquem o acesso ao crédito, em vez de competir com infraestruturas que já funcionam.
A publicação do BIS e a mudança de rota no Drex marcam um momento de redefinição para o futuro do dinheiro digital no país. O Brasil avança em direção a soluções mais integradas ao seu próprio contexto, priorizando eficiência, segurança e impacto social direto. O resultado é um cenário no qual inovação e pragmatismo caminham juntos, evitando redundâncias e fortalecendo o que já funciona.
