Os investidores brasileiros ampliaram a exposição ao mercado de criptoativos na última semana e direcionaram R$ 51,8 milhões, cerca de 9,7 milhões de dólares, para fundos de criptomoedas, segundo dados divulgados pela CoinShares. O movimento ocorreu em meio às expectativas de que o Federal Reserve possa anunciar um novo corte de juros ainda em dezembro, o que aumentaria a liquidez global e fortaleceria ativos de risco.
O relatório mostra que o Brasil acompanhou uma tendência internacional. Globalmente, os fundos de criptoativos registraram mais de 1 bilhão de dólares em entradas líquidas, interrompendo quatro semanas consecutivas de retiradas. O otimismo cresceu após declarações de John Williams, representante do Fed de Nova York, que indicou espaço para novos ajustes na taxa básica dos Estados Unidos. Para o mercado, a sinalização elevou a probabilidade de um corte de juros e impulsionou o apetite por ativos digitais.
Os Estados Unidos lideraram os aportes semanais, com 994 milhões de dólares alocados em ETPs cripto. Canadá, Suíça, Austrália, Hong Kong e Brasil também ficaram no campo positivo, enquanto Alemanha e Suécia registraram saídas líquidas expressivas. Com os novos aportes, o Brasil atingiu 31,6 milhões de dólares em entradas no mês e elevou para 1,35 bilhão de dólares o total de ativos sob gestão em produtos de investimento atrelados a criptomoedas.
O fluxo semanal foi concentrado principalmente em fundos de Bitcoin, responsáveis por 464 milhões de dólares. Ethereum, XRP, carteiras multiativos e Solana também registraram aportes significativos, enquanto Cardano, Litecoin e fundos que apostam na queda do Bitcoin apresentaram retiradas.
Entre as gestoras, Fidelity, Volatility Shares, BlackRock e Grayscale lideraram as captações. O destaque negativo ficou com o Bitwise Funds Trust, que registrou a maior saída líquida da semana.
Para o especialista em crescimento de comunidade da CriptoBR, o movimento brasileiro reflete um investidor cada vez mais atento ao cenário macroeconômico global. Ele observa que a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos acaba funcionando como catalisador para mercados emergentes, impulsionando investidores a buscarem ativos com maior potencial de valorização. Segundo ele, o avanço de ETPs cripto e a consolidação de reguladores como o Banco Central no tema ampliam a confiança e facilitam a entrada de novos participantes no ecossistema digital.
A combinação entre expectativas sobre o Fed, fortalecimento global da indústria de ETPs e maior clareza regulatória no Brasil favoreceu o aumento de aportes em fundos de criptomoedas. O fluxo crescente indica que o mercado brasileiro continua ativo, amadurecido e conectado às narrativas internacionais que moldam o comportamento dos investidores. Com grande parte do setor apostando na expansão da liquidez em 2025, o país se posiciona como um dos mercados mais relevantes no cenário global de investimento em ativos digitais.
