A oferta de stablecoins na BNB Chain cresceu quase 200% desde 2025, segundo publicação repercutida pela Phemex a partir de dados divulgados pelo Cointelegraph. O avanço reforça o papel da rede em pagamentos, DeFi e liquidação on-chain de baixo custo.
A BNB Chain voltou ao radar nesta sexta-feira (24) depois que dados repercutidos pela Phemex indicaram um salto de quase 200% na oferta de stablecoins na rede desde 2025. O mesmo levantamento aponta que quase um terço dos endereços ativos ligados a stablecoins já estaria concentrado no ecossistema da BNB Chain.
O número importa porque stablecoins funcionam como a principal camada de liquidez do mercado cripto: são usadas para negociação, pagamentos, DeFi, remessas e proteção temporária contra volatilidade. Quando essa liquidez migra para uma rede específica, ela tende a atrair mais usuários, protocolos e volume de transações.
Por que a BNB Chain ganhou tração em stablecoins
O crescimento ocorre em um momento em que redes de baixo custo disputam o uso prático das stablecoins. Para o usuário final, taxas menores e confirmações rápidas fazem diferença em pagamentos e transferências frequentes. Para protocolos DeFi, mais stablecoins significam mais profundidade para pools, empréstimos, swaps e estratégias de rendimento.
A BNB Chain já vinha tentando fortalecer esse posicionamento. Como o CriptoBR mostrou recentemente, a rede estendeu a taxa zero em stablecoins até 30 de abril, uma medida desenhada para estimular movimentações com ativos pareados ao dólar. A iniciativa ajuda a explicar por que parte da liquidez pode estar buscando o ecossistema.
Outro ponto é a combinação entre varejo e infraestrutura. A rede tem histórico de alto volume em aplicações de trading, jogos, memecoins e carteiras ligadas ao universo Binance. Esse ambiente cria demanda constante por dólares digitais, especialmente em períodos de mercado lateral, quando investidores preferem manter caixa on-chain sem sair completamente do ecossistema cripto.
Stablecoins viram disputa de infraestrutura
A notícia também conversa com um movimento mais amplo: stablecoins deixaram de ser apenas “moedas de corretora” e passaram a ser vistas como infraestrutura financeira. Bancos, fintechs, bandeiras de cartão e redes blockchain disputam onde esses dólares tokenizados serão emitidos, mantidos e movimentados.
Nos últimos dias, o CriptoBR noticiou que o Morgan Stanley lançou um fundo voltado para reservas de stablecoins e que a SocGen ampliou clientes cripto enquanto aposta em stablecoins. Esses exemplos mostram que a corrida não está limitada a blockchains: ela envolve custódia, reservas, compliance e distribuição global.
Para a BNB Chain, capturar uma fatia maior desse fluxo pode fortalecer a rede em duas frentes. A primeira é econômica, com mais transações e mais atividade em protocolos. A segunda é estratégica, já que stablecoins costumam servir como porta de entrada para novos usuários antes que eles interajam com DeFi, NFTs, launchpads ou outros produtos on-chain.
O que observar agora
Apesar do dado positivo, a leitura exige cautela. Crescimento de oferta não significa, sozinho, uso orgânico sustentável. É preciso acompanhar volume real de transferências, concentração de carteiras, participação de grandes emissores e quanto dessa liquidez permanece ativa em aplicações.
Também há o fator regulatório. Stablecoins continuam no centro das discussões globais sobre reservas, auditoria, rendimento e risco sistêmico. Qualquer mudança nas regras pode afetar diretamente quais redes atraem emissores e usuários.
Por enquanto, o recado é claro: a BNB Chain está tentando se consolidar como uma das principais rotas para dólares tokenizados. Se o crescimento de endereços e oferta se mantiver, a rede pode ganhar mais relevância justamente no segmento que hoje sustenta boa parte da atividade diária do mercado cripto.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





