A BitMine comprou 111.942 ETH na última semana e elevou sua tesouraria para 5,39 milhões de ETH, segundo comunicado da própria companhia. O movimento reforça a concentração institucional em Ethereum em um momento em que o preço ficou abaixo de US$ 2.200.
A BitMine Immersion Technologies voltou a acelerar sua compra de Ethereum. A companhia informou nesta terça-feira (26) que adquiriu 111.942 ETH na última semana, levando sua posição total para 5.390.404 ETH, avaliados a US$ 2.134 por unidade no fechamento de referência usado pela empresa.
Na prática, a BitMine diz controlar 4,47% da oferta total de Ethereum, estimada em 120,7 milhões de ETH. A empresa também informou ter US$ 444 milhões em caixa, 203 BTC e participações em empresas como Beast Industries e Eightco, somando US$ 12,3 bilhões entre cripto, caixa e outros investimentos.
Compra veio durante queda do ETH
O detalhe mais importante é o timing. Segundo a própria BitMine, a compra foi feita após o ETH recuar para abaixo de US$ 2.200, nível que o presidente da companhia, Tom Lee, classificou como uma oportunidade de acumulação. O CoinDesk também destacou que foi a maior compra semanal de ether da empresa desde dezembro.
O movimento contrasta com um mercado ainda cauteloso. Enquanto o Bitcoin tenta formar uma nova perna de alta e ações americanas avançam, o ether segue preso em uma faixa lateral há meses, de acordo com análise de mercado do CoinDesk. Isso ajuda a explicar por que a compra chama atenção: a BitMine está aumentando exposição justamente quando parte do mercado ainda evita risco.
A estratégia não é isolada. O CriptoBR já havia mostrado que a Fundação Ethereum vendeu US$ 23 milhões em ETH à BitMine, em uma transação que reforçou a presença da empresa entre os maiores compradores corporativos do ativo. Também houve cobertura anterior sobre a compra de US$ 146 milhões em ETH pela BitMine, quando outras tesourarias cripto estavam reduzindo o ritmo.
BitMine quer chegar a 5% do Ethereum
A meta pública da BitMine é atingir o que chama de “Alchemy of 5%”, ou seja, controlar 5% da oferta de ETH. Com os números atuais, a empresa afirma estar 89% do caminho até esse objetivo, alcançado em apenas 11 meses de estratégia agressiva de tesouraria.
Além da compra direta, a empresa vem ampliando sua operação de staking. O comunicado aponta 4.712.917 ETH em staking, o equivalente a US$ 10,1 bilhões pelo preço usado no relatório. A BitMine estima que, em escala, as recompensas anualizadas de staking possam chegar a US$ 276 milhões, considerando rendimento de 2,75% em sete dias anualizado.
Esse ponto é relevante porque a tese da empresa não depende apenas de valorização do ETH. Ao colocar grande parte da tesouraria em staking, a BitMine transforma uma posição passiva em uma fonte recorrente de rendimento, embora ainda exposta à volatilidade do ether, a riscos técnicos e ao ambiente regulatório.
O que isso muda para o mercado
Para investidores de Ethereum, a leitura mais direta é de redução de oferta líquida. Uma companhia listada comprando e travando milhões de ETH em staking retira parte do ativo da circulação imediata. Isso não garante alta de preço, mas cria uma força estrutural de demanda que o mercado precisa considerar.
Ao mesmo tempo, há riscos claros. A concentração de 4,47% da oferta em uma tesouraria corporativa aumenta a dependência do mercado em relação às decisões de uma única companhia. Caso a BitMine desacelere compras, venda parte da posição ou enfrente pressão no mercado acionário, o efeito psicológico sobre ETH pode ser relevante.
O episódio também reforça uma mudança maior no mercado cripto: empresas públicas estão usando ativos digitais como estratégia de balanço, mas com modelos diferentes. Enquanto a Strategy ficou associada ao Bitcoin, a BitMine tenta ocupar esse papel no Ethereum, combinando acumulação, staking e narrativa de infraestrutura institucional.
Essa disputa por tesourarias cripto ocorre em um momento no qual o Ethereum tenta se reposicionar entre adoção institucional, tokenização e mudanças internas. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre a defesa de Vitalik Buterin por uma Fundação Ethereum menor e com menos venda de ETH, a relação entre oferta, governança e demanda institucional virou tema central para a rede.
Por ora, a BitMine segue comprando quando o mercado hesita. Se a empresa realmente chegar a 5% da oferta ainda em 2026, o debate sobre tesourarias corporativas de Ethereum deve ficar mais intenso — tanto pelo potencial de suporte ao preço quanto pela concentração que esse modelo cria.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





