O Bitcoin perdeu o suporte de US$ 70 mil pela terceira sessão consecutiva, enquanto o índice Fear & Greed despencou para 10 — o menor nível em 16 meses. Apesar do pânico, a Bernstein reafirmou projeção de US$ 150 mil para 2026, citando acumulação institucional recorde e ETFs spot captando US$ 1,6 bilhão em março.
O Bitcoin caiu para US$ 69.984 nesta quarta-feira (26), marcando a terceira sessão consecutiva abaixo dos US$ 70 mil — um nível que serviu como suporte confiável durante todo o primeiro trimestre de 2026. O índice Fear & Greed despencou para 10, território de medo extremo e a leitura mais baixa em 16 meses.
O cenário é de pressão vendedora generalizada. O market cap total do mercado cripto recuou para US$ 2,48 trilhões (-3,2% em 24h), enquanto o volume de negociação ficou abaixo da média dos últimos 30 dias. A dominância do Bitcoin subiu para 56,5%, sinalizando uma rotação defensiva clássica — investidores saindo de altcoins para se proteger no BTC.
Bernstein vai na contramão e projeta US$ 150 mil
Enquanto o mercado sangra, a gestora Bernstein publicou uma nota surpreendente: o Bitcoin “parece ter encontrado seu fundo”. O analista sênior Gautam Chhugani reafirmou a projeção de US$ 150 mil até o final de 2026, o que representaria uma alta de mais de 110% em relação aos níveis atuais.
Como já reportamos na matéria sobre a análise anterior da Bernstein, a gestora vem sustentando essa tese há meses. Agora, dois fatores reforçam a convicção: os ETFs spot de Bitcoin captaram US$ 1,6 bilhão em março, e a demanda corporativa continua subindo.
A Strategy, empresa de Michael Saylor, comprou mais US$ 76,6 milhões em Bitcoin na última semana, elevando seu estoque total para 762.099 BTC — cerca de 3,5% de todo o supply da criptomoeda. Como cobrimos anteriormente, os movimentos de Saylor costumam sinalizar confiança institucional nos momentos de maior pânico.
Medo extremo: sinal de fundo ou de mais dor?
Os dados on-chain mostram sinais mistos. Por um lado, os exchange netflows ficaram positivos pela primeira vez em 11 dias, com 8.420 BTC depositados em exchanges — um sinal potencialmente bearish de distribuição. Por outro, endereços com mais de 100 BTC aumentaram 0,4%, indicando que as baleias estão acumulando nos níveis atuais.
No mercado de derivativos, as taxas de funding ficaram negativas (-0,008% em média), enquanto o open interest caiu 7% para US$ 18,2 bilhões. Essa desalavancagem pode preparar o terreno para um bounce de alívio se os compradores spot voltarem ao mercado.
Historicamente, leituras do Fear & Greed abaixo de 15 precederam recuperações significativas. Como apontamos na semana passada, quando o índice bateu 11, o Bitcoin segurou os US$ 71 mil e ensaiou uma recuperação — cenário que pode se repetir.
Nem todos estão otimistas
A projeção da Bernstein não é unânime. O analista Ali Martinez traçou um cenário onde o Bitcoin pode cair até US$ 41.500 em outubro de 2026 antes de qualquer recuperação significativa. Já o Standard Chartered cortou sua projeção de US$ 150 mil para US$ 100 mil, alertando para condições econômicas fracas e demanda limitada.
O Morgan Stanley também está movimentando o tabuleiro: o banco atualizou seu registro na SEC para um ETF spot de Bitcoin (ticker MSBT), sinalizando que o produto pode estar mais perto do lançamento do que o mercado antecipava. Na Austrália, o fundo de pensão Hostplus anunciou planos de oferecer exposição ao Bitcoin em portfólios autodirigidos — mais um sinal de adoção institucional global.
O mercado cripto vive um dos momentos mais polarizados de 2026. Com medo extremo, dados on-chain mistos e projeções que vão de US$ 41.500 a US$ 150.000, o consenso é que a volatilidade veio pra ficar — e quem estiver posicionado quando a maré virar, colhe os frutos.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





