A oferta de Bitcoin nas mãos de investidores de longo prazo chegou a 16,3 milhões de BTC, perto da máxima histórica. O dado sugere acumulação em meio à fraqueza do preço, enquanto holders de curto prazo seguem mais sensíveis à volatilidade.
A oferta de Bitcoin controlada por holders de longo prazo voltou a se aproximar de uma máxima histórica, segundo análise publicada pela CoinDesk nesta quinta-feira. O grupo, definido como investidores que mantêm BTC por pelo menos 155 dias, agora concentra cerca de 16,3 milhões de bitcoins.
O movimento chama atenção porque ocorre em um período de preço deprimido, com o Bitcoin rondando a faixa de US$ 77 mil após semanas de pressão macro e liquidações no mercado cripto. Na prática, a leitura reforça um padrão recorrente dos ciclos anteriores: investidores mais pacientes tendem a acumular durante fraquezas e distribuir parte da posição quando o mercado acelera.
Acumulação cresceu desde o topo de outubro
De acordo com os dados citados pela CoinDesk, a oferta em posse de holders de longo prazo subiu de 14,12 milhões de BTC, perto do recorde de preço acima de US$ 126 mil em outubro, para os atuais 16,3 milhões de BTC. Só no último mês, o aumento foi de aproximadamente 200 mil BTC.
A marca fica próxima do pico de janeiro de 2024, quando esse grupo chegou a deter 16,4 milhões de BTC antes da estreia dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Depois daquele evento, quase 2 milhões de BTC foram distribuídos por investidores de longo prazo enquanto o preço avançava.
Esse comportamento ajuda a explicar por que o dado é acompanhado de perto por analistas on-chain. Quando a oferta de longo prazo cresce, significa que uma parcela maior do suprimento está sendo retirada do giro mais especulativo. Isso não impede novas quedas no curto prazo, mas pode reduzir a quantidade de BTC disponível para venda caso a demanda volte a acelerar.
O contexto é relevante porque o Bitcoin vem tentando se estabilizar após quedas recentes. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o Bitcoin segurando a região de US$ 76 mil enquanto altcoins recuavam, o mercado ainda opera com cautela, especialmente entre traders de curto prazo.
Por que isso importa para o mercado
Holders de longo prazo são frequentemente tratados como uma proxy para convicção. Eles não representam necessariamente uma previsão infalível de preço, mas indicam onde está parte do capital que costuma atravessar ciclos completos de alta e baixa.
Quando esse grupo acumula, a leitura mais comum é que investidores com horizonte maior estão aceitando comprar ou manter exposição enquanto participantes mais alavancados reduzem risco. Esse contraste apareceu também nas últimas semanas, quando liquidações pesaram sobre o mercado. O CriptoBR acompanhou esse cenário na cobertura sobre o Bitcoin caindo a US$ 78 mil e liquidando US$ 500 milhões em posições compradas.
O dado, porém, não deve ser lido como sinal automático de retomada. A própria história do Bitcoin mostra que fases de acumulação podem durar meses, especialmente quando juros, liquidez global e apetite por risco seguem pressionando ativos voláteis.
Outro ponto é que parte da demanda institucional continua sensível aos fluxos dos ETFs. Nas últimas semanas, o mercado viu movimentos mistos em produtos listados, incluindo saídas relevantes. Como reportamos na matéria sobre ETFs de Bitcoin perdendo US$ 635 milhões em um dia, esses veículos ainda funcionam como uma ponte importante entre o capital tradicional e o preço à vista.
Oferta travada não elimina risco de volatilidade
A aproximação da máxima histórica na oferta de holders de longo prazo sugere que boa parte do mercado está menos disposta a vender no preço atual. Ainda assim, o curto prazo segue dependente de fatores como liquidez nos derivativos, dados macroeconômicos, demanda dos ETFs e comportamento de mineradores.
Para o investidor brasileiro, a mensagem principal é separar estrutura de mercado e timing. O aumento da oferta de longo prazo aponta para acumulação por participantes mais pacientes, mas não muda o fato de que o Bitcoin continua sujeito a oscilações fortes enquanto busca uma nova zona de equilíbrio.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





