O Bitcoin reduziu perdas nesta quarta-feira após o CPI dos EUA mostrar inflação cheia de 4,2% em maio, mas núcleo mensal abaixo do esperado. O dado mantém a pressão sobre juros, porém deu algum alívio ao mercado cripto no curto prazo.
O Bitcoin reduziu parte das perdas nesta quarta-feira (10) depois que o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos veio em linha no dado cheio, mas mostrou uma leitura mais branda no núcleo da inflação. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o CPI subiu 0,5% em maio e acumulou alta de 4,2% em 12 meses, enquanto o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e 2,9% em um ano.
Para o mercado cripto, o detalhe importante foi a composição do dado. A inflação cheia continua desconfortável, puxada principalmente por energia, mas o núcleo abaixo da expectativa citada pelo CoinDesk ajudou o Bitcoin a aparar perdas e voltar para a região de US$ 61 mil após a divulgação. Ether também tentou se recuperar, embora o ambiente para altcoins siga frágil.
CPI ainda pressiona a tese de cortes
O relatório do BLS mostrou alta mensal de 3,9% em energia e avanço de 7,0% na gasolina em maio. Em 12 meses, energia subiu 23,5%, com gasolina acumulando alta de 40,5%. Esse choque mantém o Federal Reserve em posição difícil: a inflação cheia voltou a acelerar, mas o núcleo não confirmou uma pressão tão ampla quanto o mercado temia.
Na prática, isso reduz a chance de uma leitura imediatamente desastrosa para ativos de risco, mas não muda o quadro principal. Juros altos por mais tempo seguem como freio para liquidez, múltiplos e apetite por posições alavancadas. O Bitcoin, que já vinha sofrendo com saídas de ETFs e rotação de capital para outros temas, continua sensível a qualquer sinal sobre a política monetária americana.
Essa pressão aparece em sequência. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre ETFs de Bitcoin voltando ao nível pós-eleição de Trump, a demanda institucional perdeu tração nas últimas semanas. Antes disso, o ativo já havia voltado a US$ 63 mil e liquidado vendidos, mostrando que o mercado ainda reage com força a movimentos curtos de preço.
Alívio não elimina risco para o Bitcoin
O CoinDesk informou que o Bitcoin era negociado perto de US$ 61.400 após o CPI. A Decrypt, por sua vez, destacou que Bitcoin e Ethereum tentaram retomar a recuperação mesmo com a inflação anual no maior nível em três anos. O ponto de atenção é que essa reação parece mais um ajuste de expectativa do que uma virada estrutural.
O mercado entrou no dado com receio de uma surpresa mais agressiva no núcleo. Como isso não aconteceu, parte das posições defensivas foi reduzida. Ainda assim, a inflação cheia em 4,2% mantém viva a discussão sobre aperto monetário adicional ou, no mínimo, sobre um período mais longo sem cortes relevantes de juros.
Dados on-chain também reforçam o clima pesado. Em outra leitura publicada nesta quarta, a Decrypt citou que mais de 8 milhões de BTC estavam em prejuízo não realizado, um sinal de capitulação entre holders. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que qualquer recuperação do Bitcoin tem encontrado venda rápida quando se aproxima de zonas de resistência.
O cenário também conversa com a fraqueza em segmentos que dependem de confiança e capital disponível. No mesmo dia, o CriptoBR reportou que a Botanix encerrou sua rede e expôs o freio no Bitcoin DeFi, reforçando que a fase atual pune narrativas que ainda não provaram demanda real.
O que observar agora
O próximo teste será a leitura do mercado sobre o Fed. Se os juros continuarem ancorados em patamar elevado, o Bitcoin pode seguir preso entre repiques técnicos e vendas em resistência. Se o núcleo da inflação continuar cedendo nos próximos meses, a narrativa de liquidez pode voltar a ganhar espaço.
Por enquanto, a mensagem é de cautela. O CPI de maio tirou da mesa o pior cenário imediato para o núcleo, mas não entregou um sinal limpo de alívio monetário. Para traders, isso mantém o foco nos níveis de US$ 60 mil e US$ 63 mil. Para investidores de prazo mais longo, a pergunta continua sendo se a demanda institucional consegue compensar um ambiente macro ainda apertado.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





