O volume OTC da Binance em janeiro e fevereiro de 2026 já atingiu 25% do total registrado em todo o ano de 2025. A participação do Bitcoin nos trades OTC saltou de 4,91% para 45,81% em um mês, sinalizando acumulação institucional acelerada.
A mesa de balcão (OTC) da Binance registrou um crescimento expressivo nos dois primeiros meses de 2026, alcançando 25% de todo o volume OTC negociado em 2025. O dado foi compartilhado pelo CEO da Binance, Richard Teng, no X neste sábado (28), acompanhado de um relatório detalhado sobre o comportamento dos grandes investidores.
“Em apenas dois meses de 2026, já atingimos 25% do volume OTC total do ano passado. A demanda institucional por liquidez profunda e execução confiável está mais forte do que nunca”, escreveu Teng.
https://x.com/_RichardTeng/status/2037773782639865938
Bitcoin domina os trades OTC da Binance
O relatório da Binance OTC & Execution Services revelou uma mudança drástica na composição dos trades. A participação do Bitcoin no volume OTC saltou de 4,91% em janeiro para 45,81% em fevereiro — um aumento de mais de 800% em apenas um mês.
Ao mesmo tempo, as entradas via stablecoins e moeda fiduciária mais que dobraram, passando de 21,43% para 48,95% no mesmo período. O movimento indica que instituições estão utilizando stablecoins como porta de entrada para montar posições em cripto de forma estratégica.
Uma operação emblemática reforça a escala: uma conversão de US$ 105 milhões de WBETH para ETH foi concluída em apenas duas horas, com slippage 75% menor do que seria obtido em livros de ordem públicos. Como já reportamos na matéria sobre a corrida institucional da Strategy e Metaplanet, grandes players continuam acumulando Bitcoin de forma agressiva.
Nível de US$ 60 mil atrai interesse institucional
O relatório da Binance também conectou o aumento de atividade ao comportamento do Bitcoin em torno dos US$ 60.000 no início de fevereiro. Segundo a análise interna, esse nível desencadeou uma onda de consultas sobre a formação de um possível fundo de ciclo.
Dois fatores sustentam essa tese: o aumento dos fluxos institucionais em posições spot de BTC e uma faixa técnica bem definida entre US$ 55.000 e US$ 69.000, consolidada após o lançamento dos ETFs spot de Bitcoin em 2024.
“Nossa visão é que, embora US$ 60.000 pode não representar o fundo absoluto, acreditamos que o piso provavelmente não está muito abaixo”, concluiu o relatório.
O cenário se conecta diretamente com o que vimos esta semana, quando ETFs de Bitcoin perderam US$ 296 milhões em uma semana — enquanto instituições aparentemente migravam para canais OTC mais discretos. A própria Morgan Stanley lançou seu ETF de Bitcoin com taxa recorde, reforçando que o apetite institucional segue aquecido.
O que muda para o mercado cripto
O crescimento do volume OTC sinaliza uma maturação do mercado. Diferente de trades em exchanges públicas, operações OTC permitem que grandes investidores comprem e vendam volumes expressivos sem impactar o preço no livro de ordens — o que reduz volatilidade e indica acumulação silenciosa.
Para o investidor de varejo, o dado serve como termômetro: quando instituições acumulam via OTC enquanto o preço permanece lateral ou em queda, historicamente isso antecede movimentos de alta. A questão agora é se o Bitcoin consegue sustentar o suporte entre US$ 55 mil e US$ 69 mil enquanto essa acumulação se desenrola.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





