A Binance afirmou que seus sistemas de IA evitaram mais de US$ 10,5 bilhões em perdas ligadas a golpes entre o início de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Só no 1º trimestre, a exchange diz ter interceptado 22,9 milhões de tentativas de golpe e phishing, protegendo cerca de US$ 1,98 bilhão em fundos de usuários.
A Binance afirmou que suas defesas baseadas em inteligência artificial evitaram mais de US$ 10,5 bilhões em perdas potenciais ligadas a fraudes cripto entre o início de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Segundo a exchange, o dado mostra como a IA virou uma disputa dos dois lados: criminosos usam a tecnologia para escalar ataques, enquanto plataformas tentam automatizar a detecção antes que o usuário perca dinheiro.
O número mais sensível está no recorte recente. De acordo com a empresa, apenas no primeiro trimestre de 2026 seus sistemas barraram 22,9 milhões de tentativas de golpe e phishing, protegendo aproximadamente US$ 1,98 bilhão em ativos de clientes. A divulgação foi publicada pela Binance e repercutida pela Decrypt nesta segunda-feira.
Fraudes com IA ficaram mais baratas e convincentes
A leitura da Binance é que a IA reduziu o custo e aumentou a sofisticação de golpes em criptomoedas. A empresa cita uso de deepfakes, clonagem de voz, bots de phishing e perfis falsos em aplicativos de mensagem para explorar a confiança de usuários. Na prática, o golpe deixa de depender apenas de e-mails mal escritos ou links óbvios e passa a simular conversas, suporte técnico e figuras conhecidas com mais realismo.
Segundo os dados divulgados, fraudes cripto chegaram a US$ 17 bilhões em 2025, alta de 30% em relação ao ano anterior. A Binance também afirma que exploits de smart contracts podem custar aos atacantes apenas US$ 1,22 por contrato em determinados cenários, enquanto modelos avançados de IA teriam obtido taxa de sucesso de 72,2% em simulações de ataque.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que segurança virou uma frente competitiva entre exchanges e carteiras. O tema também conversa com a tendência recente de agentes autônomos e pagamentos cripto para IA, como o CriptoBR mostrou em matérias sobre PayPal e Google usando cripto como trilho para inteligência artificial e sobre carteiras cripto se adaptando para agentes de IA.
Mais de 100 modelos em operação
Para responder ao avanço dos ataques, a Binance diz ter implantado mais de 24 iniciativas de IA e mais de 100 modelos até o fim de 2025. Esses sistemas, segundo a companhia, já alimentam 57% dos controles antifraude da plataforma e contribuíram para reduzir em 60% a 70% as taxas de fraude com cartões na comparação com benchmarks do setor.
A exchange também destacou o Binance AI Pro, produto desenhado para limitar riscos de agentes de IA dentro da própria arquitetura. A proposta é separar os fundos operados por agentes das contas principais dos usuários, concedendo permissões apenas para negociação, sem acesso a saques. A empresa afirma que cerca de 12% das ferramentas de terceiros submetidas ao marketplace foram sinalizadas como potencialmente arriscadas.
Embora a Binance tenha interesse direto em apresentar sua infraestrutura de segurança sob uma luz positiva, os números reforçam um ponto importante para o mercado: à medida que ferramentas de IA ficam mais acessíveis, golpes deixam de ser eventos isolados e passam a operar em escala industrial. Isso aumenta a pressão sobre exchanges, protocolos DeFi e usuários finais.
Recuperação ainda é parte pequena do problema
Além da prevenção, a Binance informou que ajudou a recuperar US$ 12,8 milhões em 48 mil casos durante 2025, avanço de 41% ano a ano. A empresa também disse ter auxiliado autoridades na apreensão de US$ 131 milhões em fundos ilícitos e processado mais de 71 mil solicitações de órgãos de aplicação da lei.
Mesmo assim, a diferença entre perdas evitadas e valores recuperados mostra que a primeira linha de defesa continua sendo bloquear o golpe antes da transferência. Em cripto, transações são difíceis de reverter, e a janela para reagir após um saque indevido costuma ser curta.
Para o leitor, a implicação é direta: autenticação forte, lista branca de endereços, checagem manual de URLs e cautela com mensagens de suporte continuam essenciais. Ferramentas de IA podem melhorar a proteção das plataformas, mas também tornam golpes mais convincentes. Como já apareceu na cobertura sobre a trava de saque da Binance contra coerção física, a segurança cripto está deixando de ser apenas uma questão técnica e passando a envolver comportamento, produto e resposta rápida.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





