Uma carteira de Bitcoin criada em 2013 movimentou 500 BTC, cerca de US$ 40 milhões, após 12 anos sem atividade. O destino não parece ligado a uma corretora conhecida, mas o movimento reacende a atenção sobre moedas antigas voltando a circular enquanto o BTC negocia perto de US$ 80 mil.
Uma baleia de Bitcoin que estava inativa desde novembro de 2013 movimentou 500 BTC no domingo (10), em uma transação avaliada em cerca de US$ 40 milhões. O alerta veio em meio a um mercado ainda atento ao comportamento de grandes holders, depois de o BTC voltar a negociar na faixa dos US$ 80 mil.
Segundo o CoinDesk, a transferência ocorreu por volta de 19h16 UTC e saiu do endereço 1KAA8GGhVjjUjVTz1HKAjCyGNzAKQd882j para um novo endereço Bech32. O serviço Whale Alert também registrou a movimentação on-chain. Até o momento, o destino não aparece associado a uma carteira conhecida de corretora, o que reduz a leitura imediata de venda iminente, mas não elimina a cautela do mercado.
O que a transação mostra
A carteira estava parada havia aproximadamente 12,5 anos. Em novembro de 2013, quando os bitcoins foram originalmente acumulados, cada BTC era negociado perto de US$ 923, de acordo com levantamento publicado pelo Bitcoin.com. Na cotação atual, o mesmo lote ultrapassa US$ 40 milhões.
Esse tipo de movimentação chama atenção porque moedas antigas costumam ser observadas como um termômetro de comportamento de holders de longo prazo. A transferência pode representar simples reorganização de segurança, migração para endereços mais modernos ou preparação para outro movimento. Sem envio para exchange, porém, não há evidência direta de venda.
O episódio também acontece poucos dias depois de o Bitcoin superar US$ 82 mil enquanto a SUI disparava, reforçando um ambiente em que qualquer movimentação relevante de baleias tende a ganhar peso entre traders.
Quase 900 BTC de carteiras antigas voltaram a se mover
O Bitcoin.com apontou que 11 endereços dormentes movimentaram fundos no domingo, somando 859,13 BTC, ou cerca de US$ 69,4 milhões. O maior lote veio justamente da carteira de 2013, mas também houve transações de endereços criados em 2014 e 2017.
Parte desses fundos teria migrado para endereços Bech32, formato mais recente do Bitcoin associado a SegWit. Na prática, isso pode indicar apenas atualização de custódia. Ainda assim, quando moedas paradas por mais de uma década se movem, o mercado acompanha de perto porque esses saldos representam uma oferta potencial que ficou fora de circulação durante vários ciclos.
Movimentos de holders antigos ganharam frequência desde que o BTC rompeu marcos históricos nos últimos anos. Em julho passado, empresas de análise on-chain já haviam identificado carteiras da era Satoshi transferindo grandes quantidades de Bitcoin após 14 anos de inatividade.
Por que importa para o mercado
Para o investidor, a leitura principal é de cautela, não de pânico. Uma transferência isolada não significa venda, especialmente quando os fundos não vão para uma corretora. O sinal mais relevante é que investidores muito antigos seguem ativos e podem reorganizar posições conforme o preço sobe ou a segurança das carteiras evolui.
O movimento ocorre em um momento em que o mercado monitora liquidez, derivativos e comportamento institucional. Como o CriptoBR mostrou recentemente, a CME prepara futuros de volatilidade do Bitcoin, ampliando as ferramentas para traders acompanharem oscilações em grandes movimentos de preço.
Também há um pano de fundo institucional importante. A Strategy, de Michael Saylor, voltou ao radar depois de sinalizar uma possível retomada nas compras de Bitcoin. Entre baleias antigas, empresas públicas e ETFs, a disputa por liquidez segue sendo um dos fatores centrais para entender a dinâmica do BTC em 2026.
Até novas movimentações aparecerem, o caso deve ser tratado como um alerta on-chain relevante, mas não como prova de venda. O dado concreto é que 500 BTC adormecidos desde 2013 voltaram ao jogo — e isso, por si só, já é suficiente para o mercado prestar atenção.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





