Analista que acertou volatilidade do Bitcoin em fevereiro indica 5 criptomoedas que podem subir em março

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O início de ano positivo para o Bitcoin (BTC) e todo o mercado de criptomoedas dá sinais de estagnação, com dados inflacionários conflitantes e política monetária imprevisível nos Estados Unidos, além da volta do FUD, com problemas envolvendo o banco Silvergate e pressões regulatórias sobre algumas stablecoins.

Para Isac Honorato, embaixador e influenciador da corretora de criptoativos Foxbit, aspectos técnicos inéditos adicionam ainda mais receio aos investidores, que não imaginam o comportamento da criptomoeda de referência, em meio a uma death cross e golden cross simultâneas.

Honorato foi certeiro recentemente ao prever momentos de volatilidade para o preço do Bitcoin porém sem romper a resistência de US$ 25 mil ou cair abaixo do suporte psicológico de US$ 20 mil.

Agora ele destaca que desde novembro de 2022, a inflação norte-americana sugeria um arrefecimento na alta de preços. Em janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), mesmo apontando um avanço de 0,5% na base mensal, ainda seguia em linha com as expectativas dos economistas.

“Muitos investidores, então, começaram a especular sobre a possibilidade de uma nova redução no aperto monetário dos Estados Unidos. Então, esperava-se que o ritmo do aumento de juros fosse reduzido, assim como a política hawkish cessada em breve”, disse.

Ele aponta que o Índice de Preços ao Produtor (PPI), divulgado dias depois, foi elevado em 0,7%, em janeiro, após uma queda de 0,2%, em dezembro. O indicador veio consideravelmente acima do 0,4% esperado pelos analistas.

Com isso, o PPI ligou novamente o sinal de alerta dos investidores, que passaram, agora, a esperar por uma intensificação no aperto monetário. Pouco a pouco, os 98% do mercado que previam uma alta de 0,25 pontos-base nos juros, foram reduzidos para 72,3%.

“Já no início de março, autoridades monetárias, como Raphael Bostic e Neel Kashkari, afirmaram que as taxas de juros devem continuar sendo elevadas e, principalmente, mantidas altas por algum tempo. Bostic, inclusive, destacou seu receio em uma retirada antecipada do aperto”, afirma.

FUD

Ele também analisou que o tom mais agressivo por parte dos formuladores monetários colocou os juros dos títulos do tesouro norte-americano de 10 anos acima dos 4% novamente. O índice dólar (DXY) se aproveitou da fragilidade do mercado de risco para engatar uma alta de quatro semanas seguidas.

“Se a macroeconomia já colocou pressão no Bitcoin, a volta de alguns FUDs levou ainda mais incertezas ao movimento de preços.

SEC x BUSD – Em meados de fevereiro, a Securities and Exchange Commission (SEC) solicitou a interrupção da emissão da Binance USD (BUSD), sob a alegação de que a stablecoin lastreada em dólar era “um ativo mobiliário não registrado”. A SEC acrescentou ainda que a Paxos, empresa responsável pela emissão do token, estaria expondo seus detentores a risco, acusando-a de utilizar parte dos fundos de lastro para investimento em títulos públicos e outros produtos financeiros.

Silvergate – O Silvergate Bank, de forte relação comercial com startups e outras empresas de criptomoedas nos Estados Unidos, adicionou mais uma dose de medo, incerteza e dúvida. A instituição anunciou que irá atrasar, em duas semanas, a apresentação de seu relatório anual à SEC. Este documento é uma exigência da Comissão, usado para demonstrar a saúde de uma empresa. Em sua solicitação de adiamento, o Silvergate Bank alegou que foi necessário realizar a venda de um adicional de títulos de dívida em janeiro e fevereiro, e que espera novas perdas nos próximos meses. A perspectiva da própria companhia é que o banco e a empresa fiquem “menos do que bem capitalizados”.

No documento, o Silvergate ainda coloca em dúvida sobre a “capacidade de continuar operando nos doze meses seguintes à emissão de suas demonstrações financeiras”. Tudo isso, claro, gerou um grande temor no mercado, já que o banco tinha grande exposição à FTX, antes de seu colapso, enquanto Binance e Coinbase são duas exchanges ligadas ao Silvergate Bank.

Mercado aquecido na Ásia

O analista também destaca que embora as proibições da China sobre as criptomoedas, o mercado asiático ainda é um dos mais movimentados do mundo neste setor. A forte demanda do comerciante chinês, por exemplo, foi vista, recentemente, com o aumento do prêmio da USD Coin (USDC). 

Quanto maior o volume de compra, mais “caro” fica a stablecoin para os negociantes, gerando um prêmio positivo acima de 4% do valor justo. Se o interesse é baixo, há um desconto, também de 4% ou maior. Em meio, então, ao apetite dos chineses pelas criptomoedas, que driblam as regulamentações via exchanges descentralizadas (DEX), Hong Kong estendeu a mão às exchanges tradicionais.

A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong (SFC) divulgou uma nova estrutura regulatória, que permite o registro de exchanges de criptomoedas no órgão.

Com a nova regra, a Huobi divulgou, em seu Twitter oficial, que está planejando abrir uma bolsa de moedas digitais na região, chamada de Houbi Hong Kong, com foco em investidores institucionais e de alto patrimônio líquido. O plano, inclusive, contaria com a contratação de 150 novos funcionários apenas para a unidade de Hong Kong.

“Com ventos um pouco mais favoráveis para afastar minimamente o FUD, o Bitcoin ainda dá sinais de estar cada vez mais escasso. Dados da Glassnode mostram que o volume de BTCs inativos há pelo menos cinco anos é de 28,24%, sendo este o maior da história do ativo. Já em uma perspectiva de dez anos, a empresa de análises on-chain aponta que, no fim de fevereiro, havia um total de 2.645.956 BTC inativos. Este volume é 16% maior do que os 2.272.798 BTC sob posse das exchanges listadas pela Glassnode”, destacou.

Análise gráfica

Honorato também aponta que em meio ao caos entre FUD, política monetária e escassez, a análise gráfica também segue dividindo os investidores.

No gráfico diário, a famosa golden cross, quando a média móvel de 50 períodos cruza para cima a de 200 dias, se consolidou. O padrão técnico, que costuma antecipar uma alta consistente, encontrou uma forte resistência nos US$ 25 mil, não apresentando força para rompê-la”, disse.

Fonte: Foxbit

Já na perspectiva semanal, uma death cross, quando a média móvel de 50 semanas cruza para baixo a de 200 períodos, foi “acionada” em meados de fevereiro. Este padrão técnico, ao contrário da golden cross, sugere um período de baixa prolongado. 


Fonte: Foxbit

A death cross, no gráfico semanal, porém, nunca ocorreu antes na história do Bitcoin. Muito menos simultaneamente com uma golden cross. Assim, será preciso tempo para analisar como a criptomoeda de referência irá se comportar diante desses dois desenhos gráficos.

Portanto, segundo ele, na perspectiva semanal, a correção de preços demonstra que a linha superior da banda de Bollinger será um grande obstáculo para os bulls elevarem o valor do ativo. A mediana funciona como suporte imediato, em US$ 19,6 mil.


Fonte: Foxbit

“Já o MACD sustenta suas linhas cruzadas para cima desde agosto do ano passado. Porém, o indicador sinaliza uma perda de força nas duas últimas semanas, podendo reverter o movimento”

Enquanto isso, o analista também pede que os investidores olhem para o Índice de Força Relativa (RSI) que mira os 52,39 pontos, indicando um mercado ainda bastante equilibrado. O pico mais recente do indicador foi em novembro de 2021 (apontado pela seta branca na figura), quando o Bitcoin atingiu sua última máxima histórica, em US$ 69 mil.

“Diante dos fundamentos e indicadores técnicos, é nítido que parte do mercado gostaria de ver o BTC em níveis de preços maiores, em março. Entretanto, eventos macroeconômicos, o FUD e alguns movimentos gráficos sinalizam que a tarefa dos bulls não será nada fácil, pois há muita resistência pelo caminho”, afirma.

5 criptomoedas para olhar em março

Como o mundo não gira só em torno do Bitcoin, o analista selecionou 5 criptomoedas que os investidores devem ficar de olho em março, podendo fazer parte de seu portfólio.

Ethereum (ETH)

Como sempre, a segunda criptomoeda em valor de mercado está na lista. E não só por ser popular e muito utilizada, mas pelas constantes atualizações que sua blockchain está realizando.

Ainda em março, deve ser lançado o update Shanghai, que vai permitir que os validadores da rede possam movimentar e vender seus ETHs travados em staking.

A atualização pode sinalizar um movimento de venda intensa, mas dados da CryptoQuant sugerem o contrário, já que 60% dos tokens em staking estão no prejuízo. Assim, uma venda em massa não só realizaria o prejuízo dos stakers, como ainda intensificaria as perdas, a partir da desvalorização da criptomoeda.

Chainlink (LINK)

A LINK pode ter uma movimentação de preço interessante em março, conforme sua blockchain também é aprimorada, com o lançamento da Chainlink Functions. Essa nova plataforma foi elaborada para ajudar na conexão entre aplicativos descentralizados (dApps), contratos inteligentes e aplicativos tradicionais.

Kemal El Moujahid, diretor de produtos da Chainlink, destacou que a Chainlink Functions vai remover obstáculos importantes na adoção à Web3.

Litecoin (LTC)

A LTC foi uma das primeiras criptomoedas a aparentemente encontrar o fundo de sua correção. Não à toa, 52,89% dos detentores da moeda digital estão no lucro, como destacam os dados da IntoTheBlock. O número é uma reviravolta ao prejuízo de 85% dos proprietários da criptomoeda no bear market de 2022.

Essa mesma taxa de “negativados” acompanhou também outros ciclos de baixa, como em 2015, 2018, 2019 e 2020. A mesma IntoTheBlock, entretanto, alerta para possíveis revisões às mínimas de preços ainda neste período de indefinição.

Por outro lado, a perspectiva da empresa pode não se consolidar, já que o halving da Litecoin, previsto para agosto deste ano, pode ainda ser um potencializador para um possível mercado de alta. Então, fique atento!

Optimism (OP)

A OP opera na blockchain Optimism, com foco em velocidade e estabilidade para desenvolvedores da rede Ethereum. Essa solução, que tem sido amplamente utilizada pelos devs, passará por algumas atualizações em março.

O update Bedrock, por exemplo, funcionará como uma etapa de preparação para que a rede consiga se integrar em um ambiente multichain.

TRON (TRX)

Funcionando a todo vapor, a TRX pode ser uma criptomoeda para ficar de olho em março. O token é nativo da blockchain TRON e, recentemente, ultrapassou o Ethereum no volume de fornecimento de Tether (USDT) e trouxe novos usuários ativos para a rede.

A stablecoin pode ser um trunfo aos detentores de TRX, já que o cerco regulatório da SEC sobre a Binance USD (BUSD) pode migrar investidores para o USDT.

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Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletem as posições do Cointelegraph Brasil. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar uma decisão.

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