A insurtech 88i recebeu autorização definitiva da Superintendência de Seguros Privados para operar como seguradora do segmento S4, após cumprir as metas do Sandbox regulatório. Com a licença plena, a empresa deixa a fase experimental e passa a atuar em todo o país com um modelo digital desenhado para escalar via parcerias com plataformas e aplicativos.
A conquista coloca a 88i em um grupo restrito de insurtechs que concluíram o Sandbox e obtiveram permissão definitiva de operação, um sinal de que a regulação começa a “carimbar” quais modelos digitais conseguiram provar viabilidade técnica, operacional e de governança.
O que a 88i vende e por que isso importa
A proposta da empresa é distribuir nano seguros episódicos embarcados, acionados conforme o uso, dentro de plataformas de mobilidade, delivery, logística, e-commerce e fintechs. Na prática, o seguro entra como uma camada invisível do serviço, com contratação simples e custo operacional reduzido graças a integrações por APIs e uso intensivo de dados.
O foco está na gig economy, um público grande, recorrente e historicamente subatendido por produtos tradicionais. A 88i opera em modelos B2B e B2B2C, em que plataformas e integradores conectam o seguro ao usuário final sem fricção.
Números que mostram escala e inclusão
Em 2025, a seguradora afirma ter beneficiado 10,5 milhões de pessoas, com um dado que chama atenção: cerca de 70% dos segurados teriam consumido seguro pela primeira vez. A empresa também contabiliza mais de 30 milhões de operações processadas no ano, indicando uso recorrente e produtos de ativação frequente.
Um caso emblemático é a parceria com a Uber, que oferece seguros para motoristas e passageiros a partir de R$ 0,01 por quilômetro rodado. A iniciativa teria somado mais de 250 milhões de viagens seguradas em 2025.
Trajetória e próximos passos: crescimento e Série A no radar
Fundada em 2018, a 88i entrou no Sandbox em 2019, recebeu autorização temporária em 2021 com investimento seed de R$ 5 milhões, atingiu breakeven em agosto de 2023 e reportou lucro em 2024, ano em que afirma ter crescido 440%. Agora, com a licença definitiva, a expectativa divulgada é fechar 2025 com o dobro do tamanho do ano anterior e preparar uma rodada Série A, apoiada em expansão acelerada e parcerias com resseguradoras globais.
A estratégia de crescimento de comunidade, aplicada a seguros invisíveis
Nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda tratar essa notícia como uma “história de acesso” e não como um release corporativo. A tática é transformar números em narrativas que o público reconhece:
Mapear histórias curtas de trabalhadores que ativaram proteção no momento certo, com linguagem simples e foco em utilidade.
Mostrar bastidores do produto em formato educativo, explicando como funciona seguro por quilômetro, por entrega ou por janela de tempo, reduzindo desconfiança.
Criar parcerias de distribuição de conteúdo com integradores e creators da gig economy, onde a audiência já está, para construir credibilidade e recorrência.
O objetivo é fazer o usuário perceber que seguro pode ser tão natural quanto um botão de corrida ou uma tela de pedido, sem burocracia e sem sustos.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





