O ZEC caiu cerca de 30% após novos detalhes sobre uma falha crítica no pool privado Orchard da Zcash. A correção já foi ativada via upgrade NU6.2, mas o episódio reacendeu o debate sobre auditoria, privacidade e prova de oferta em protocolos de zero knowledge.
O token ZEC caiu forte nesta sexta-feira (5) depois que novos detalhes sobre uma falha crítica no pool privado Orchard, da Zcash, chegaram ao mercado. A vulnerabilidade já foi corrigida, segundo a Zcash Foundation, mas a combinação entre risco de falsificação dentro do pool, dificuldade de auditoria pública e venda de investidores pressionou uma das principais moedas de privacidade do setor.
De acordo com a Zcash Foundation, a falha foi descoberta em 29 de maio pelo pesquisador independente Taylor Hornby, durante uma auditoria conduzida em nome da Shielded Labs. O problema atingia o circuito de provas de conhecimento zero do Orchard, camada introduzida em 2022 para reforçar a privacidade das transações da rede.
Falha foi corrigida, mas risco abalou a confiança
A resposta técnica veio em duas etapas. Primeiro, a versão Zebra 4.5.3 aplicou uma soft fork emergencial para desativar temporariamente ações envolvendo o Orchard. Depois, a versão Zebra 5.0.0 ativou o upgrade NU6.2, em 3 de junho, reativando o pool com o circuito corrigido no bloco 3.364.600.
A fundação afirmou que não há evidência de exploração, criação não autorizada de valor ou impacto sobre a privacidade dos usuários. Também disse que o mecanismo conhecido como turnstile, responsável por acompanhar o saldo total entre os diferentes pools da Zcash, confirmou que a oferta total permaneceu intacta durante o incidente.
O ponto sensível está no tipo de falha. Em protocolos de privacidade, parte da informação on-chain fica propositalmente oculta. Isso protege usuários, mas torna mais difícil tranquilizar o mercado quando surge uma vulnerabilidade no circuito criptográfico que valida transações privadas.
Segundo o Cointelegraph, o ZEC perdeu mais de 30% em 24 horas após a divulgação de detalhes adicionais, com uma redução de quase US$ 3 bilhões no valor de mercado. A publicação também citou que Hornby usou o Claude Opus 4.8 para auxiliar uma revisão altamente direcionada do circuito Orchard.
IA ajudou na descoberta e virou parte da narrativa
O uso de IA na investigação adicionou outra camada ao caso. A própria tese de segurança em cripto está mudando: modelos avançados podem acelerar auditorias, mas também elevam a exigência defensiva de protocolos que dependem de matemática complexa, bibliotecas criptográficas e coordenação rápida entre operadores.
Esse ponto conversa com uma tendência que o CriptoBR já vem acompanhando em altcoins ligadas a IA e em novos produtos que aproximam automação de infraestrutura on-chain. O diferencial, aqui, é que a IA apareceu no lado da auditoria de segurança, não apenas como narrativa de mercado.
Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, disse no X que vendeu sua posição em ZEC por causa do episódio. Ele avaliou que uma exploração prévia seria improvável, mas reconheceu que não é possível provar formalmente que ela nunca aconteceu. Esse é o tipo de incerteza que costuma pesar mais em moedas de privacidade do que em ativos com histórico totalmente transparente.
O que muda para moedas de privacidade
Para o usuário comum, a principal diferença agora é acompanhar se carteiras, exchanges e operadores de nós já atualizaram suas versões. A Zcash Foundation recomendou que operadores migrem para Zebra 5.0.0, já que o upgrade é necessário para seguir a cadeia correta após a ativação do NU6.2.
Para investidores, a leitura é mais ampla. O episódio não significa, por si só, que houve inflação indevida ou perda de fundos. Mas mostra que moedas de privacidade carregam um trade-off estrutural: quanto mais forte a ocultação de dados, mais difícil pode ser oferecer uma prova simples e pública em situações de crise.
Esse debate não é novo. O CriptoBR já mostrou que tokens de privacidade enfrentam pressão regulatória e operacional, como no caso em que a Binance ameaçou remover criptomoedas de privacidade. Agora, o foco sai da regulação e volta para a robustez técnica dos próprios protocolos.
A Shielded Labs e desenvolvedores da Zcash estudam uma proposta para permitir que qualquer pessoa verifique a integridade da oferta e prove a inexistência de ZEC falsificado dentro do Orchard. Se avançar, essa pode ser a parte mais importante da resposta: não apenas corrigir o bug, mas reduzir a área de dúvida que derrubou a confiança do mercado.
Enquanto isso, o ZEC continua vulnerável a movimentos bruscos. Em um mercado já pressionado por liquidações e fuga de risco, como o CriptoBR reportou na queda que derrubou longs cripto, qualquer dúvida técnica em um ativo de alta beta tende a virar venda rápida.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





