A aprovação do avanço do projeto de lei GENIUS, que regula o mercado de stablecoins nos Estados Unidos, revelou uma cisão entre democratas no Senado. Dezesseis senadores do partido votaram com os republicanos para levar o texto à discussão no plenário, contrariando parte da bancada que vê a medida como um risco à integridade institucional.
Apesar de preocupações anteriores com possíveis vínculos do ex-presidente Donald Trump com empresas de criptoativos, os parlamentares favoráveis argumentam que o país precisa de uma regulamentação mínima para não perder competitividade global. Entre eles, o senador Mark Warner afirmou que o projeto “não é ideal, mas melhor do que permanecer parado”.
A senadora Kirsten Gillibrand, coautora da proposta, também minimizou os riscos ligados à corrupção, defendendo que investigações sobre Trump devem ocorrer separadamente. Ambos sustentam que regulamentar o setor traria segurança jurídica e atrairia investimentos para os Estados Unidos.
A ala progressista do partido discorda. A senadora Elizabeth Warren, crítica da indústria cripto, declarou que o projeto fortalece o mercado de stablecoins enquanto ignora ameaças à segurança nacional, estabilidade financeira e proteção ao consumidor. Ela e outros opositores temem que a legislação abra brechas para uso político das criptomoedas.
Como resposta, o senador Michael Bennet apresentou um projeto alternativo, ironicamente batizado de “STABLE GENIUS Act”, que proíbe autoridades eleitas de emitir ou apoiar ativos digitais e exige a transferência de criptoativos para fundos cegos durante o mandato.
Organizações progressistas reagiram duramente. Ativistas acusam os democratas favoráveis à medida de fragilizarem o discurso contra Trump. Para o estrategista Murshed Zaheed, quem apoia o projeto perde legitimidade ao criticar corrupção. O movimento já articula campanhas nas primárias de 2026 contra os 16 senadores dissidentes.
Internamente, o Partido Democrata enfrenta mais um ponto de atrito entre pragmatismo legislativo e princípios ideológicos. Enquanto os projetos de regulação avançam, a base militante cobra coerência e novos nomes para disputar as próximas eleições. Por ora, a ala pró-cripto tem prevalecido.
Co-Owner e consultor de Tokenização na Tokenizem





