O influenciador brasileiro Augusto Backes mostrou, em uma live com apoiadores, uma posição de cerca de US$ 2 milhões no token Verified Emeralds, conhecido como VEREM, pouco antes de uma forte queda no preço do ativo, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026.
De acordo com a mesma apuração, o projeto se apresenta como um token de “real world assets” e afirma ter lastro ligado a esmeraldas e a uma mina na Bahia. A reportagem aponta, porém, ausência de auditoria pública e de informações verificáveis que permitam checar, de forma independente, detalhes do suposto lastro, o que ampliou a desconfiança no mercado após o recuo abrupto da cotação.
O movimento de preço foi o gatilho para o debate. A matéria relata que o VEREM chegou a ser negociado perto de US$ 397 em 22 de janeiro e recuou para a faixa de US$ 85 em 26 de janeiro, uma queda em torno de 79% em quatro dias. Agregadores de mercado também listam o ativo e mostram variações fortes e liquidez limitada, padrão comum em tokens novos e com pouco histórico.
No centro da controvérsia está o papel de influenciadores e a assimetria de informação. Backes, que se notabilizou por conteúdo de trading e análises de criptomoedas, teria dito que estudou o projeto, acredita no longo prazo e que quem comprou sem gestão de risco agiu por conta própria. A reportagem também menciona críticas de que haveria promoção paga e acusações nas redes, enquanto o projeto, por sua vez, teria reagido com ameaça de medidas judiciais contra o que chama de ataques caluniosos.
O caso ilustra um risco recorrente no mercado cripto brasileiro: tokens novos com narrativa de oportunidade perdida, promessa de “lastro” e distribuição concentrada, que podem experimentar alta e queda rápidas antes de qualquer validação robusta. Para o investidor comum, o problema não é apenas a volatilidade, mas a falta de dados verificáveis e de governança que permitam avaliar o que, de fato, existe por trás do marketing.
Estratégia de comunidade com foco em proteção do público, não em caça às bruxas
O nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda usar o episódio como campanha de alfabetização de risco, com quatro ações objetivas:
Checklist “RWA de verdade”: exigir prova verificável do lastro, auditoria independente, documentos, responsáveis e mecanismos claros de resgate ou equivalência econômica, antes de qualquer discussão de preço.
Política editorial para influenciadores: toda menção a token novo deve trazer aviso padrão sobre risco, liquidez e conflito de interesse, além de transparência explícita sobre patrocínio, se houver.
Sala de dúvidas com moderação: abrir espaço para perguntas técnicas e factuais, e bloquear posts que virem recomendação de compra, ataque pessoal ou tentativa de “ensinar a recuperar prejuízo”.
Série curta “como cair menos”: gestão de tamanho de posição, stop e principalmente o conceito de liquidez e slippage, que costuma ser ignorado em tokens emergentes.
A queda do VEREM após forte exposição pública serve como lembrete de que “RWA” é uma categoria que depende de transparência, auditoria e mecanismos claros de governança, não apenas de narrativa. Em tokens novos, a ausência de informações verificáveis transforma volatilidade em risco existencial para quem entra no varejo. Para o ecossistema, a resposta mais útil é elevar o padrão de divulgação e educação, reduzindo a dependência de hype e a vulnerabilidade do público a colapsos rápidos.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





