A B3 registrou nesta semana a primeira emissão de um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) totalmente tokenizado, no valor de R$ 10 milhões, estruturado pela GCB por meio da plataforma de crowdfunding PeerBR. A operação foi realizada para a Galapagos Capital, gestora com mais de R$ 27 bilhões em ativos, e marca a entrada da GCB no segmento de “Securitizadora as a Service”.
A iniciativa sinaliza uma nova fase para os chamados RWA (Real World Assets) no Brasil, conectando o mercado tradicional de crédito estruturado à tecnologia blockchain. A estruturação só foi possível graças às recentes mudanças regulatórias da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), especialmente a Resolução nº 88 e os Ofícios Circulares nº 4 e nº 6/2023, que autorizam a emissão de títulos por meio de plataformas de financiamento coletivo.
Segundo Gustavo Blasco, fundador da GCB, o uso da tokenização reduziu custos e simplificou o processo de emissão. Ele afirma que a companhia pretende ampliar sua atuação como estruturadora de ativos digitais, com foco em eficiência e inovação.
O registro da operação na B3 indica uma abertura gradual do mercado institucional à tokenização, com potencial para expandir a oferta de produtos financeiros lastreados em ativos reais.
Andrea Di Sarno, sócio da Galapagos Capital, destacou que a operação representa um avanço operacional relevante. “A combinação entre crowdfunding e tokenização amplia o acesso e torna o processo mais dinâmico”, afirmou.
Com a estreia da CRI tokenizada, o mercado brasileiro dá um passo significativo rumo à digitalização de seus instrumentos financeiros, aproximando-se de padrões internacionais em inovação no mercado de capitais.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





