As empresas que acumulam Bitcoin em suas tesourarias podem estar entrando em uma fase delicada. De acordo com Greg Cipolaro, chefe global de pesquisa da NYDIG, os prêmios — diferença entre o preço das ações dessas companhias e o valor líquido de seus ativos (NAV) — estão em queda constante, mesmo com o BTC em patamares históricos.
“As forças por trás dessa compressão são variadas”, disse Cipolaro. Entre elas estão a ansiedade em torno de desbloqueios de oferta iminentes, mudanças nos objetivos corporativos, maior emissão de ações, realização de lucros e pouca diferenciação entre estratégias de tesouraria.
O alerta é claro: se o mercado não reagir, um “caminho turbulento” pode se desenhar, especialmente quando novas fusões, aberturas de capital e liberações de ações ocorrerem. O risco é de uma onda de vendas por parte de acionistas.
Segundo a NYDIG, a medida mais direta para reverter esse cenário seria o lançamento de programas de recompra de ações, reduzindo a oferta no mercado e reforçando a confiança dos investidores.
💰 Os números impressionam:
Empresas com Bitcoin em tesouraria atingiram um pico de 840.000 BTC em 2025.
A Strategy detém 76% desse total, cerca de 637.000 BTC.
No entanto, a média de compras da Strategy caiu de 14.000 BTC (pico em 2025) para apenas 1.200 BTC em agosto.
Outras empresas também reduziram o ritmo, com quedas de até 86% em suas aquisições mensais.
📊 A desaceleração reduziu a taxa de crescimento mensal da Strategy para 5% em agosto, contra 44% no fim de 2024. Outras companhias, que chegaram a crescer 163% em março, avançaram apenas 8% no mês passado.
Enquanto isso, o Bitcoin (BTC) segue estável na faixa de US$ 111.200, acumulando queda de 10,5% desde o pico de US$ 124.000 em meados de agosto.
A mensagem da NYDIG é direta: para atravessar a tempestade, as empresas de tesouraria cripto precisarão agir de forma estratégica, fortalecendo suas posições e buscando mecanismos para sustentar os preços de suas ações.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





