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Home Notícias

Strategy autoriza recompra de US$ 2 bi e venda de BTC

Hillary Gonçalves by Hillary Gonçalves
junho 29, 2026
in Notícias
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Mascote do Bitcoin em sala de tesouraria corporativa representando plano de recompra e liquidez da Strategy
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📋 Resumo

A Strategy aprovou uma nova estrutura de capital com reserva em dólar, dividendo maior para STRC, até US$ 2 bilhões em recompras e autorização para monetizar parte do Bitcoin. A mudança importa porque mostra a empresa de Michael Saylor tentando equilibrar exposição longa a BTC com liquidez para juros, dividendos e confiança do mercado.

A Strategy, empresa ligada a Michael Saylor e maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mercado, anunciou nesta segunda-feira (29) uma nova estrutura de capital que inclui reserva em dólar, aumento no dividendo da ação preferencial STRC, programas de recompra de até US$ 2 bilhões e autorização para vender parte de seus BTC em situações específicas.

O ponto central não é uma virada contra o Bitcoin, mas uma tentativa de profissionalizar a gestão de liquidez em um momento de pressão sobre o modelo financeiro da companhia. A própria Strategy afirmou que continua comprometida com o Bitcoin como principal ativo de reserva, mas passou a tratar seus instrumentos de crédito, dividendos e recompras como parte de uma engrenagem única de capital.

O que a Strategy aprovou

Segundo comunicado oficial da empresa, a nova estrutura tem cinco pilares: uma política de reserva em dólar aprovada pelo conselho, uma política revisada para o dividendo da STRC, um programa de recompra de títulos preferenciais, um programa de recompra de ações ordinárias MSTR e um programa de monetização de Bitcoin.

A reserva em dólar da Strategy era de aproximadamente US$ 2,55 bilhões em 28 de junho. Pelas regras anunciadas, esse caixa deve ser usado para pagar dividendos das ações preferenciais e juros da dívida, enquanto qualquer outro uso dependerá de autorização do conselho. A empresa afirma que esse valor cobre cerca de 17,4 meses de dividendos e juros esperados, estimados em US$ 1,76 bilhão ao ano.

A companhia também autorizou até US$ 1 bilhão em recompra de seus títulos preferenciais, incluindo STRC, STRF, STRD e STRK, e até US$ 1 bilhão em recompra de ações classe A da MSTR. As recompras não são obrigatórias e podem ocorrer apenas se a administração considerar que os preços de mercado tornam a operação vantajosa.

Bitcoin entra como fonte de liquidez

A parte mais sensível para o mercado é o programa de monetização de BTC. A Strategy recebeu autorização para vender Bitcoin com três objetivos principais: gerar até US$ 1,25 bilhão para reforçar a reserva em dólar, pagar ou repor dividendos e juros quando isso for melhor do que emitir ações, e financiar recompras de títulos preferenciais ou ações ordinárias.

Esse detalhe conversa diretamente com a preocupação recente sobre o custo da estrutura criada por Saylor. O CriptoBR já mostrou que a STRC da Strategy vinha pressionando o plano de Bitcoin, enquanto outra análise apontou que a Strategy chegou a valer menos que seus próprios Bitcoins. A nova política tenta responder a essa tensão: preservar exposição longa a BTC, mas criar rotas claras para cumprir obrigações financeiras.

O dividendo anual da STRC também foi elevado para 12% nos períodos semimensais com datas de registro a partir de 1º de julho. A Strategy diz que seu objetivo corporativo é fazer a STRC negociar perto de US$ 99 a US$ 100 ao longo do tempo, embora reconheça que não há garantia de que o papel fique nessa faixa.

Por que isso importa para o Bitcoin

A Strategy se tornou uma referência porque transformou Bitcoin em política corporativa de tesouraria. Por isso, qualquer sinal de venda de BTC pela empresa tende a receber atenção acima do normal, mesmo quando o plano é limitado e condicionado a decisões futuras.

A diferença agora é que a empresa está deixando explícito que Bitcoin também pode funcionar como capital de liquidez, não apenas como ativo acumulado indefinidamente. Isso não significa que uma venda imediata vá acontecer, mas muda a leitura do mercado: em momentos de estresse, a Strategy passa a ter uma estrutura formal para usar parte da reserva de BTC se essa alternativa for melhor do que diluir acionistas com nova emissão.

Para investidores de cripto, o efeito é duplo. De um lado, a política pode reduzir o risco de uma crise de liquidez nos instrumentos preferenciais da Strategy. De outro, reforça que grandes tesourarias de Bitcoin também precisam administrar passivos, juros e confiança de mercado, especialmente quando o preço do BTC passa por queda ou lateralização.

O movimento chega poucos dias depois de Saylor defender publicamente a possibilidade de vender Bitcoin em certas circunstâncias, tema que o CriptoBR acompanhou na matéria sobre a defesa de venda de Bitcoin pela Strategy. Agora, essa ideia deixa de ser apenas uma discussão de mercado e vira uma política formal aprovada pelo conselho.

Hillary Gonçalves
Hillary Gonçalves

Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.

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Tags: BitcoinMichael SaylorMSTRStrategyTesouraria Bitcoin
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