A Tether voltou ao centro das discussões globais depois que a Standard & Poor’s atribuiu à stablecoin USDT a pior classificação possível em sua nova metodologia de avaliação de ativos digitais. A nota 5, que representa risco elevado, motivou resposta imediata do CEO Paolo Ardoino, que criticou a visão das grandes instituições financeiras sobre o setor cripto.
A S&P justificou a avaliação afirmando que a Tether aumentou significativamente sua exposição a ativos de risco ao longo do último ano. O relatório destaca que 5,6% das reservas do USDT estão agora em Bitcoin, percentual superior ao excedente de lastro declarado pela empresa. Para a agência, uma queda brusca no mercado cripto poderia comprometer a paridade de 1:1 com o dólar americano, especialmente devido à ausência de um arcabouço regulatório rígido e das limitações na capacidade de resgate.
Além da composição da carteira, a S&P citou falta de transparência na divulgação das reservas, ausência de segregação de ativos para proteção em cenários de insolvência e incertezas sobre o gerenciamento interno de risco. A crítica mais contundente aponta que a Tether ainda não opera sob regulamentação robusta, o que aumenta a vulnerabilidade da stablecoin diante de crises sistêmicas.
O relatório, porém, reconhece um ponto positivo: o histórico consistente de estabilidade do USDT. Segundo a S&P, a stablecoin manteve sua paridade mesmo em alguns dos momentos mais turbulentos do setor, incluindo a falência da FTX, a crise bancária dos EUA e colapsos de outros projetos de stablecoins.
A resposta da Tether foi imediata. Paolo Ardoino afirmou que a empresa “se orgulha do desprezo” da agência e criticou a lógica das avaliações tradicionais. Ele argumenta que modelos similares atribuíram classificações altas a instituições financeiras que posteriormente quebraram, chamando o sistema de “máquina de propaganda”. Ardoino afirma que a Tether é supercapitalizada, não possui reservas tóxicas e mantém lucratividade elevada, apesar das críticas.
Para nosso especialista em crescimento de comunidade, a reação da Tether reflete um conflito crescente entre estruturas financeiras tradicionais e novos modelos descentralizados. Segundo ele, avaliações como a da S&P tendem a gerar debates importantes sobre transparência, governança e risco, ao mesmo tempo em que expõem o desconforto das instituições tradicionais diante de empresas que escapam das métricas convencionais. O especialista aponta que, embora críticas técnicas sejam necessárias, também é preciso reconhecer o papel das stablecoins no funcionamento global do mercado cripto.
A discussão reforça a complexidade do setor: de um lado, a necessidade de padrões mais rigorosos para garantir segurança aos usuários; de outro, a crítica às métricas antigas aplicadas a modelos financeiros totalmente novos. A classificação da S&P não afeta de forma imediata o funcionamento do USDT, mas reacende o debate sobre o futuro das stablecoins e sobre como elas serão reguladas, analisadas e incorporadas ao sistema financeiro internacional.
