A Charles Schwab iniciou a liberação de trading spot de Bitcoin e Ether para um grupo inicial de clientes de varejo nos Estados Unidos. A entrada de uma corretora com cerca de US$ 12 trilhões sob gestão reforça a disputa entre plataformas tradicionais e exchanges cripto pelo investidor comum.
A Charles Schwab começou a liberar a negociação direta de Bitcoin e Ether para clientes de varejo nos Estados Unidos, marcando um novo passo da corretora tradicional em direção ao mercado cripto. Segundo o CoinDesk, a primeira leva de usuários já consegue operar BTC e ETH pela plataforma Schwab Crypto.
O movimento importa porque a Schwab administra cerca de US$ 12 trilhões em ativos de clientes e atende dezenas de milhões de investidores. Na prática, a empresa passa a oferecer acesso a criptoativos spot dentro de um ambiente já conhecido pelo público de corretoras, reduzindo a necessidade de abrir conta em uma exchange especializada para comprar os dois principais ativos do mercado.
Do ETF ao ativo spot
A Schwab já oferecia exposição ao setor por meio de ETFs cripto e contratos futuros, mas a negociação direta de BTC e ETH muda a experiência do usuário. Em vez de comprar apenas produtos financeiros ligados ao desempenho dos ativos, parte dos clientes passa a negociar os próprios criptoativos dentro da plataforma da corretora.
A empresa havia indicado no ano passado que pretendia entrar no trading cripto direto, e voltou a confirmar o cronograma no primeiro semestre de 2026. Como o CriptoBR acompanhou em abril, quando a Schwab confirmou o plano de lançar trading spot de Bitcoin e Ethereum, a estratégia coloca a corretora em rota de competição mais direta com Coinbase, Kraken, Robinhood e outros players que disputam o investidor de varejo.
A própria Schwab comunicou a novidade em publicação no X, destacando que a plataforma Schwab Crypto começou a ser disponibilizada para clientes elegíveis.
https://x.com/CharlesSchwab/status/2054234006489588119
Por que Wall Street quer o varejo cripto
O avanço vem depois de dois anos de maior integração entre cripto e finanças tradicionais. A aprovação e o crescimento dos ETFs de Bitcoin abriram uma porta regulada para investidores institucionais e consultores financeiros, enquanto produtos combinando cripto e renda tradicional continuam se multiplicando. Em uma frente parecida, o CriptoBR mostrou como os ETFs de Bitcoin puxaram US$ 2,1 bilhões em entradas enquanto o mercado testava a faixa dos US$ 80 mil.
Para o investidor comum, a proposta de uma corretora como a Schwab é conveniência e familiaridade: operar cripto ao lado de ações, ETFs e outros produtos. Para o setor, o efeito pode ser uma nova rodada de competição por taxas, liquidez e retenção de clientes.
Impacto para Bitcoin, Ether e exchanges
A largada limitada indica cautela. A Schwab não está abrindo imediatamente a negociação para toda a base, mas testando o produto com um grupo inicial de clientes. Ainda assim, o sinal é relevante: corretoras tradicionais querem capturar a demanda cripto sem deixar o fluxo de ordens migrar para plataformas nativas do setor.
O foco inicial em Bitcoin e Ether também mostra uma abordagem conservadora, concentrada nos ativos de maior liquidez e reconhecimento regulatório relativo. No caso do Ethereum, a notícia chega em um momento de mudanças técnicas no ecossistema, incluindo o novo padrão para reduzir riscos de assinatura cega — tema explicado pelo CriptoBR na matéria sobre o padrão Clear Signing do Ethereum.
Se a adoção avançar, a Schwab pode se tornar um canal importante de entrada para investidores que ainda evitavam exchanges cripto. Por outro lado, a competição tende a pressionar plataformas nativas a melhorar experiência, custos e integração com produtos financeiros tradicionais.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





