O governo britânico deu início a uma ação inédita para rastrear criptomoedas mantidas por pessoas físicas e empresas em situação de falência. A medida, anunciada pelo Serviço de Insolvência, busca recuperar ativos digitais não declarados e devolvê-los aos credores.
Dados oficiais mostram que os casos envolvendo criptoativos cresceram 420% nos últimos cinco anos. Somente em 2024, o órgão identificou cerca de 500 mil libras em criptomoedas pertencentes a falidos — volume 364 vezes maior que o registrado entre 2019 e 2020.
Para liderar as investigações, o ex-policial Andrew Small foi contratado como especialista em rastreamento de ativos digitais. Sua missão é identificar e recuperar moedas armazenadas em carteiras digitais, com base em conhecimento técnico sobre redes blockchain, plataformas de negociação e métodos de custódia.
Segundo Small, as criptomoedas deixaram de ser invisíveis para as autoridades. “São ativos rastreáveis e recuperáveis. Vamos aplicar tecnologia e inteligência para garantir o retorno dos valores aos credores”, afirmou.
O chefe de inteligência do Serviço de Insolvência, Neil Freebury, destacou que o aumento no uso de criptomoedas exige ação imediata. “Casos envolvendo criptoativos quadruplicaram. Estamos estruturando uma equipe dedicada para enfrentar esse cenário.”
Com a iniciativa, o Reino Unido se torna o primeiro país a instituir formalmente uma divisão exclusiva para investigar criptoativos em processos de insolvência. A meta é consolidar uma força-tarefa especializada nos próximos meses.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





