O Brasil lidera as estatísticas de golpes de phishing na América Latina, consequência da alta adoção de serviços digitais e do baixo nível de educação em segurança cibernética. Segundo dados da Kaspersky, foram registradas 553 milhões de tentativas em 12 meses, o que equivale a 1,5 milhão por dia, ou 1.070 ataques por minuto.
O phishing funciona por meio do envio de links maliciosos em e-mails, redes sociais ou aplicativos de mensagens. O usuário pode ser induzido a clicar nesses links ou até mesmo compartilhar dados pessoais seguindo instruções falsas — sendo esse último o cenário mais frequente.
Embora em outros países os principais alvos sejam entidades governamentais, no Brasil, empresas privadas lideram as estatísticas. Ainda assim, cidadãos comuns também estão entre as vítimas. Um agravante é que das 22 famílias de vírus mais usadas em ataques digitais, 10 foram desenvolvidas no Brasil.
Criptomoedas: alvo preferencial
O setor cripto é um dos mais visados. Usuários podem ser induzidos a assinar transações maliciosas, permitindo o saque instantâneo de todos os fundos em carteiras digitais. Em 2024, os golpes de phishing causaram perdas de mais de US$ 1 bilhão, segundo a CertiK, com pelo menos três incidentes acima de US$ 100 milhões.
Somente em agosto de 2025, vítimas perderam US$ 12 milhões, com 15.230 investidores afetados, conforme dados do ScamSniffer.
IA amplia o alcance dos golpes
A Kaspersky alerta que criminosos têm utilizado inteligência artificial para potencializar os ataques. Bots automatizados conseguem disparar milhares de links falsos por minuto. O número de golpes com IA aumentou 85% em relação a 2023.
“Qualquer criminoso com conhecimentos básicos pode fazer esse tipo de ataque. Em um só dia, bloqueamos 6,3 milhões”, afirmou Fábio Assolini, diretor da Kaspersky para a América Latina.
Como se proteger
Quatro medidas simples podem reduzir riscos:
Não clicar em links ou baixar anexos de fontes desconhecidas.
Não salvar senhas em navegadores.
Manter aplicativos e sistemas sempre atualizados.
Usar antivírus, VPN e ferramentas de segurança digital.
O alerta chega em um momento crítico: recentemente, um investidor perdeu US$ 3 milhões em USDT após autorizar uma transação maliciosa sem verificar o contrato.
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Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





