Uma pesquisa da Anbima com o Datafolha revelou um dado preocupante: cerca de 4 milhões de brasileiros ainda confundem investimento com aposta, especialmente quando o assunto é criptomoeda. Em 2024, 32 milhões conseguiram economizar, mas muitos não avançaram para o mundo dos investimentos. Entre os motivos, está a percepção equivocada de que ativos digitais como o Bitcoin seriam meros jogos de sorte.
Apesar de seu histórico de 15 anos, escassez programada (com limite de 21 milhões de unidades) e descentralização, o Bitcoin ainda enfrenta desconfiança. A confusão aumenta com o surgimento de milhares de altcoins — muitas sem propósito claro, alto risco e forte apelo especulativo — o que reforça a imagem de um mercado instável e associado ao acaso.
A falta de educação financeira agrava o problema. A pesquisa mostra que 63% dos brasileiros não conseguem citar espontaneamente um único produto de investimento. Apenas 11% mencionam criptomoedas mesmo quando estimulados. O vocabulário técnico e as barreiras de linguagem, com termos como “blockchain” ou “staking”, também afastam os interessados.
Outro ponto crítico é a passividade: 68% dos que não pretendem investir em 2025 admitem não buscar nenhuma informação sobre o tema. Esse desinteresse é reforçado por um cenário de estresse financeiro: 51% afirmam estar sobrecarregados com dívidas ou dificuldades econômicas.
Especialistas apontam que o acesso à informação é o principal divisor de águas. Quem investe acompanha conteúdos em redes sociais, consome vídeos e lê sobre o assunto. Segundo Bárbara Rocha, diretora do Bitybank, simplificar a linguagem é essencial para atrair novos investidores. “Cripto não precisa ser complicado para ser confiável”, afirma.
A pesquisa também identificou um grupo de brasileiros com perfil ideal para investir, mas que ainda não deu o primeiro passo: 12% da população economiza, mas não aplica. Com idade média de 34 anos e renda suficiente, esse público poderia gerar um impacto bilionário ao movimentar valores mínimos, como R$ 100, de forma consciente.
O Brasil reúne as condições para liderar a adoção de ativos digitais, mas enfrenta um obstáculo central: o desconhecimento. Superá-lo exige mais do que acesso a plataformas — é necessário tornar o conhecimento acessível e aplicável.
Em resumo, não é o mercado cripto que se confunde com apostas — é a forma como se investe que define o risco. Enquanto o Bitcoin se consolida como reserva de valor global, altcoins especulativas alimentam a imagem de um mercado volátil e perigoso. O desafio está em separar hype de fundamento — e transformar informação em inclusão financeira.
Co-Owner e consultor de Tokenização na Tokenizem





