O Estado do Pará autorizou, em caráter experimental, um curso técnico de nível médio em “criptomoedas e NFT” que poderá ser ofertado em Belém, Ananindeua, Castanhal, Marabá e Santarém. A medida aparece na Resolução nº 591, de 23 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial do Estado e assinada no âmbito do Conselho Estadual de Educação do Pará (CEE/PA).
Na prática, a autorização formaliza o tema cripto dentro da trilha de educação técnica e sinaliza que o governo estadual quer testar, com supervisão regulatória, uma formação voltada a um mercado que já influencia rotina de pagamentos, investimentos e novas formas de propriedade digital.
O que a Resolução 591 autoriza, na letra do Diário Oficial
O texto do Diário Oficial não trata apenas de cripto. A mesma resolução autoriza o funcionamento de cursos técnicos de nível médio em gastronomia, criptomoedas e NFT (experimental), inteligência artificial (experimental), informática e segurança do trabalho, a serem ministrados pelas Escolas Técnicas UNAMA nas cinco cidades listadas.
O detalhe “em caráter experimental” funciona como um marcador importante: indica fase inicial de implementação, com tendência de acompanhamento de resultados antes de uma validação definitiva do modelo.
Por que isso chama atenção
A autorização é relevante por três motivos.
Primeiro, porque desloca criptomoedas e NFTs do debate puramente “financeiro” e leva o tema para uma abordagem de mão de obra e competência técnica, junto de cursos clássicos e de outra fronteira tecnológica, a inteligência artificial.
Segundo, porque acontece em cinco polos urbanos do Pará, o que amplia capilaridade e pode criar um corredor de formação regional, se houver demanda e qualidade de execução.
Terceiro, porque abre espaço para uma discussão educacional mais madura, com foco em fundamentos (blockchain, segurança, compliance, economia digital) e não apenas em especulação de preço.
O que observar antes de virar “moda”
O sucesso do curso vai depender menos do nome e mais do desenho pedagógico. Alguns pontos que tendem a ser decisivos:
Se o currículo prioriza segurança, autocustódia e prevenção a golpes, temas críticos no mundo cripto.
Se inclui noções de regulação e conformidade, já que o setor convive com exigências crescentes.
Se separa “tecnologia” de “promessa de lucro”, evitando formação enviesada por hype.
A autorização abre a porta, mas a consolidação depende de execução, avaliação e resultados.
Estratégia de comunidade, cidade a cidade, para fazer esse tema crescer do jeito certo
Nosso especialista em crescimento de comunidade sugere um modelo diferente do padrão “post e link”, com foco local e utilidade:
Comunidade por município: grupos moderados por cidade (Belém, Ananindeua, Castanhal, Marabá, Santarém) para tirar dúvidas e compartilhar oportunidades, com regras claras contra pirâmides e calls de investimento.
Aulas abertas mensais: encontros presenciais curtos dentro das próprias unidades, com tema simples (segurança, carteira, golpe, NFT utilitário, tokenização).
Desafio prático sem dinheiro: hackathon de “projeto de certificação digital” ou “rastreamento de acervo cultural”, para mostrar aplicação além de trading.
Vitrine de trajetórias: estudantes publicando mini portfólios, projetos e aprendizados, isso gera prova social e atrai empresas locais.
A ideia é ancorar a conversa em educação, segurança e oportunidade real, não em euforia.
A Resolução 591 coloca o Pará entre os estados que começam a testar, oficialmente, a entrada de cripto e NFTs na formação técnica de nível médio, com oferta prevista em cinco cidades e sob o rótulo de caráter experimental.
Se o projeto vier acompanhado de currículo sólido e cultura de segurança, pode virar referência regional de qualificação para a economia digital. Se for guiado por hype, corre o risco de envelhecer rápido. O que vai separar uma coisa da outra é a forma como esse “experimental” será conduzido, medido e aprimorado.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





