Ação conjunta das Polícias Civis de cinco estados apura lavagem de dinheiro e uso de criptomoedas em golpe interestadual.
A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Golpe da Sorte, destinada a desarticular um esquema de estelionato e lavagem de dinheiro que utilizava stablecoins USDT para movimentar recursos ilícitos.
A investigação começou após a denúncia de uma idosa vítima do tradicional golpe do bilhete premiado, que sofreu prejuízo financeiro e teve parte do dinheiro convertido em dólares e criptomoedas.A operação contou com apoio das Polícias Civis da Bahia, Paraná, Goiás e Santa Catarina, envolvendo equipes especializadas em crimes patrimoniais e lavagem de capitais.
R$ 75 milhões bloqueados e buscas em cinco estados
Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de São José dos Campos, Rio Claro, Nova Odessa e Atibaia, além de Salvador (BA) e Londrina (PR).
Durante as diligências, os policiais apreenderam:
R$ 300 mil em espécie
US$ 30 mil
€ 25 mil
20 celulares
4 computadores
1 veículo
tablets, HDs, pendrives e documentos
Além disso, foram bloqueadas 23 contas bancárias, cada uma com aproximadamente R$ 3,25 milhões, totalizando R$ 74,75 milhões em bloqueios judiciais.
Criptomoedas entram na rota da lavagem
A investigação revelou uma operação estruturada de lavagem de dinheiro que movimentava recursos em:
casas de câmbio,
depósitos fracionados,
e conversão em USDT, stablecoin atrelada ao dólar.
Segundo a Polícia Civil de Goiás, a idosa perdeu R$ 3,2 mil, que foram rapidamente convertidos em moeda estrangeira e posteriormente em criptomoedas.
No estado, um mandado foi cumprido pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DERFRVA), que identificou um investigado que recebeu transferências em USDT da organização criminosa.
Golpe do bilhete premiado evolui para ecossistema cripto
O golpe, tradicionalmente baseado em promessas de prêmios fictícios, agora conta com camadas digitais que dificultam o rastreamento e facilitam o envio rápido de valores.
A conversão para stablecoins permitia que os criminosos dissimulasem a origem dos recursos e fizessem transações interestaduais em poucos segundos.
Ação coordenada e prisões em flagrante
A operação foi comandada pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José dos Campos, com apoio do Denarc e do Deic da Bahia.
Durante o cumprimento dos mandados, houve prisões em flagrante em Rio Claro (SP), onde investigadas foram encontradas utilizando documentos falsos.A polícia afirma que novas diligências devem ocorrer para identificar todos os envolvidos na cadeia de conversão e movimentação em criptomoedas.
