Passado mais de um mês do início das tempestades que avassalaram o Rio Grande do Sul, ainda não é possível mensurar o tamanho do desastre humanitário, ambiental e econômico causado pelas inundações.
Os custos para reconstrução do Estado são ainda uma incógnita. A Federação de Indústrias reportou prejuízos na ordem de R$ 502 bilhões de reais, o governo do Estado informou um custo mínimo necessário de R$ 19 bilhões de reais para reconstrução da infraestrutura local, sem contar os mais de R$ 3 bilhões de danos patrimoniais individuais e um impacto projetado em até 0,4% do PIB nacional.
Dentro desse cenário, as tecnologias podem ser boas aliadas. A blockchain, por exemplo, combina criptografia de ponta, processamento distribuído e uma sistemática econômica em que seu funcionamento se fortalece e sustenta no tamanho e na quantidade de participantes de cada uma dessas redes.
O uso de blockchain vem sendo cada vez mais explorado em seu potencial para crises humanitárias, como mostraram estudos realizados pela IBM, em 2020. A ONU, em 2017, desenvolveu o projeto Building Blocks que utilizou a tecnologia em seu Programa Alimentar Mundial para transferir alimentos para mais 1 milhão de refugiados no piloto desenvolvido na Jordânia e em Bangladesh.
Ainda dentro desse contexto, a tokenização pode emergir como uma ferramenta inovadora para otimizar o processo de reconstrução, especialmente de casas, comércios e infraestrutura pública. Tokens em blockchain são uma representação digital de ativos do mundo real, em que suas transações são controladas por blockchain. A criação e venda de tokens podem gerar recursos importantes para cidadãos que precisam começar sua vida praticamente do zero.
Dentre os diversos benefícios de utilização de blockchain, também está a criação de plataformas descentralizadas de acesso a crédito e microcrédito (DeFi), ambientes transparentes e seguros para doadores do mundo todo, a realização de prestação de contas à comunidade pelos poderes públicos locais, a rastreabilidade de materiais e serviços, e a criação de comunidades de economia solidária e crowfunding.
Além do contexto de longo prazo para reconstrução dos danos causados, nos parece fundamental o desenvolvimento de soluções tecnológicas que tragam respostas efetivas e rápidas a futuras crises humanitárias e socioambientais que devemos enfrentar em um futuro próximo.
*Fausto Vanin é sócio da OnePercent, empresa de soluções blockchain baseada em Porto Alegre, e Verber Souza é da ReFaz Brasil, consultoria de compliance em blockchain para ReFi.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





