A Oobit escolheu o Brasil para mostrar como stablecoins e o Pix podem dividir o mesmo trilho. O aplicativo de pagamentos em cripto, que tem a Tether entre seus investidores, levou o tema à televisão: o gerente-geral da operação brasileira e head de expansão para a América Latina, Eduardo Prota, participou do programa CNN Brasil Money para explicar como a integração da empresa com o Pix pretende aproximar o dinheiro digital de 170 milhões de brasileiros — o número de pessoas que já usam o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
A participação foi divulgada pela própria Oobit em suas redes no início de julho, acompanhada de um vídeo com o recorte da entrevista. Na publicação, a empresa resume a tese que vem repetindo desde que chegou ao país: “o Pix resolveu o dinheiro local, as stablecoins resolveram o dinheiro global, e agora os dois rodam no mesmo trilho”.
Oobit Brazil’s General Manager Eduardo Prota joins @cnnbrmoney on how our Pix integration has given financial freedom to 170M Brazilians.
Pix solved local money.
Stablecoins solved global money.
Now they run on the same rail.This is the people’s money, finally without borders. pic.twitter.com/hUdxCVDMg3
— Oobit (@oobit) July 2, 2026
Pix e stablecoins no mesmo trilho
Na prática, a proposta da Oobit é encaixar a cripto dentro de um fluxo que o brasileiro já domina. O usuário deposita reais no aplicativo, converte o saldo em USDT — a stablecoin da Tether atrelada ao dólar — e gasta usando os mesmos recursos do Pix de sempre: chave, QR Code ou o “copia e cola”. A blockchain fica em segundo plano; a experiência, segundo a empresa, é indistinguível de uma transferência comum.
É esse desenho que sustenta o discurso de “dinheiro sem fronteiras”. Enquanto o Pix cuida da liquidação local, instantânea e gratuita, a stablecoin dá ao saldo uma referência em dólar e a possibilidade de circular fora do país. Para o público, a promessa é somar a familiaridade do pagamento nacional à estabilidade de um ativo global, sem precisar entender o que acontece por baixo.
Brasil como “blueprint” da estratégia global
O país não é um mercado qualquer no plano da Oobit. Desde o lançamento oficial no Brasil, em outubro de 2025, a empresa abriu escritório local e trata a operação como vitrine. “O Brasil é o modelo”, afirmou o CEO e cofundador Amram Adar, ao apontar o país como referência para a expansão internacional da companhia, citando a liderança brasileira em adoção de cripto e a “enorme demanda por utilidade real”.
Os números que a empresa divulga reforçam a aposta: mais de 50 mil brasileiros já usariam o app para pagar no dia a dia, com São Paulo concentrando cerca de um quarto dos usuários. E, ao contrário do que se poderia esperar de um produto “cripto”, a moeda mais usada não é a de especulação: nos dados de adoção citados pela empresa, a esmagadora maioria dos pagamentos foi feita em stablecoins, com o USDT respondendo pela maior fatia do volume — sinal de que, no ponto de venda, o que importa é a previsibilidade, não a volatilidade.
Da CNN Brasil Money ao caixa do dia a dia
A ida ao CNN Brasil Money encaixa-se nesse esforço de transformar um tema técnico em conversa de finanças pessoais. À frente da mensagem está Eduardo Prota, executivo com passagem pelo comando do N26 no Brasil antes de assumir a operação da Oobit — um perfil de fintech tradicional que a empresa usa para posicionar pagamentos em cripto como o “próximo capítulo”, e não como aposta de nicho.
É também um recado sobre o momento do setor. Prota costuma comparar o estágio atual dos pagamentos em cripto ao das fintechs em 2014: poucos players ainda tentando entender o modelo. A leitura da Oobit é que o Brasil, por ter normalizado o pagamento instantâneo com o Pix, é justamente o terreno onde essa próxima camada pode pegar mais rápido.
O respaldo da Tether
Por trás da expansão está um dos nomes mais pesados do mercado de stablecoins. A Tether, emissora do USDT, liderou em 2024 a rodada Series A de US$ 25 milhões da Oobit, ao lado do cofundador da Solana, Anatoly Yakovenko. Não à toa, o USDT é a moeda no centro da experiência: o alinhamento com a emissora dá à Oobit tanto capital quanto profundidade de liquidez para escalar os pagamentos.
O que observar daqui pra frente
A aposta da Oobit no Brasil junta duas forças que já provaram tração isoladamente — a onipresença do Pix e o uso crescente de stablecoins — e tenta transformá-las em um único gesto de pagamento. O teste real, porém, virá do cotidiano: da quantidade de estabelecimentos que aceitarem o fluxo, da clareza regulatória sobre stablecoins no país e da capacidade da empresa de manter a experiência simples à medida que cresce. Se o argumento de “dinheiro do povo, sem fronteiras” vai se sustentar fora das entrevistas, será o comportamento dos 170 milhões de usuários do Pix que dirá.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





